-Ao contrário dos empresários da indústria, representantes do setor primário mostraram ‘‘pouco ânimo’’ para comentar as negociações com o FMI. Para a maioria, pouco altera na agricultrua, a menos que o FMI fixasse como meta um reajuste cambial mais audacioso. O FMI, pelo contrário recomenda que o governo mantenha o atual regime de câmbio.
-O empresários do setor industrial esperam que o acordo, nas dimensões como o assinado entre o Brasil, o Fundo Monetário Internacional (FMI), demais organismos multilateriais e autoridades de 20 nações do Primeiro Mundo, crie condições para que a economia nacional retome a normalidade. Para eles, o envolvimento de ‘‘tantos atores’’ na ajuda ao País, mostra que o Brasil ocupa posição estratégica no cenário internacional.
-A operação, segundo acreditam, deverá estancar a crise financeira internacional, afirmou a diretora do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Clarice Seibel.
-O presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, Boris Tabacof, disse que o acordo põe o País no ‘‘primeiro time’’. Para ele, a operação também mostra que o FMI entendeu as críticas recebidas as crises da Ásia e da Rússia. ‘‘A ajuda veio antes de a economia desorganizar-se’’, afirmou Tabacof.
-Cabe agora ao Brasil, segundo declarou, promover as reformas estruturais, aumentar a poupança interna e fortalecer o lado real da economia. Tabacof referiu-se ao setor produtivo, que vem sendo preterido em favor do setor financeiro. ‘‘O FMI aprendeu a lição e isso recomenda que o Brasil cumpra a sua parte. (Entrevista à Isabel Dias de Aguiar, da Agência Estado).
-O presidente do Conselho de Administração da Metal Leve, Franz Reimer considerou ‘‘interessante’’ a recomendação feita pelo FMI para que o Brasil mantenha o atual regime cambial. Para Reimer, isso significa que o governo poderá até alargar a banda cambial e esperar que o mercado encontre o ponto ideal.
-A perda do crédito externo para o financiamento das exportações é um dos principais motivos de preocupação dos empresários. Com o acordo, segundo Clarice, é possível que haja um alívio. Com toda essa mobilização será possível reduzir os gargalos, afirmou, ao mencionar as elevadas taxas de juros, que poderão cair em curto espaço de tempo.
-A mudança de atitude das instituições financeiras internacionais já podia ser observada durante esta semana, informou o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Mário Mugnaini. Algumas grandes empresas obtiveram créditos, num sinal de que os bancos estrangeiros já contavam com o acordo com o FMI, afirmou Mugnaini.

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