Oswaldo Petrin
-É hoje, como esta coluna observou ontem, que o Conselho de Política Monetária (Copom) pode deixar os empresários - a sociedade como um todo - mais aliviados ou, então, aumentar de vez o obscurantismo que permeou a política monetária do governo FHC até agora.
-O próprio presidente falou, ontem, sobre a reunião desta amanhã. FHC disse ontem que a aprovação da reforma da Previdência, aliada às negociações finais para a assinatura do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são premissas que permitem uma redução das taxas de juros na reunião do Copom.
-Se vale ou não como apelo ou recado ao Copom, não dá para saber, mas, ontem à noite as agências de notícias divulgavam uma frase de FHC: Minha expectativa é que os juros caiam.
-O encaminhamento da emenda da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) também influenciará na decisão do comitê. FHC não quis fazer qualquer previsão, no entanto, sobre o tamanho da queda das taxas, segundo a AE. Isso é uma decisão técnica, afirmou.
-No mercado e dentro do próprio governo, entretanto, o atraso do anúncio do acordo com o FMI está sendo considerado um empecilho a uma queda mais forte das taxas de juros. Sem o acordo fechado, apostam técnicos do governo e analistas de mercado, a alternativa do Copom, na reunião de amanhã, será sinalizar a redução dos juros. O Comitê deverá apenas indicar que a direção é de queda nas taxas, afirmou a economista Luciana Fagundes, do Lloyds Bank.
-O andamento da votação do programa de ajuste fiscal no Congresso Nacional, segundo a economista do Lloyds, tem peso significativo na retomada da trajetória de queda das taxas de juros. Na reunião de hoje ela espera que a Taxa de Assistência do Banco Central (Tban) fique entre 37% e 40%. Mas voltar ao patamar de 29,75%, que vigorava antes da crise, só com o acordo assinado e com uma votação tranquila das medidas fiscais. Na opinião de outro analista de São Paulo, no entanto, juros de 30% só no início de 99.
-Dentro do governo há quem preveja um retorno imediato ao patamar de 30%. Mas outras fontes salientam que o Banco Central não estaria operando com taxas altas se elas não tivessem razão de ser. O técnico referiu-se à taxa de 42,75% que vem sendo praticada nas operações do overnight. Exatamente como os analistas de mercado, ele disse ser fundamental o acordo e uma indicação mais sólida de que a situação do País já é melhor. O fluxo cambial ainda não é confiável.
-No mercado, a conclusão é que a decisão sobre a queda dos juros não deve, necessariamente, obedecer ao calendário de reuniões do Copom. Com o acordo fechado, eles podem fazer uma reunião extraordinária para baixar as taxas, concordam analistas de dois bancos estrangeiros instalados em São Paulo.
Milho/lote





