Oswaldo Petrin
-Os agentes econômicos ficam de olho a partir de amanhã na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que pode sinalizar com a queda das taxas de juros. Mesmo os mais otimistas têm clareza de que a queda não vai ocorrer a curto prazo, mas programada para pelo menos uns 18 meses. As autoridades monetárias, segundo informam, deverão limitar-se a dar um sinal de que têm intenção de baixar o custo do dinheiro a médio prazo.
-O declínio suave seria de 43% agora para 21% no segundo semestre do ano que vem; 15 a 18%, ainda no primeiro semestre de 2000 e - hipótese mais remota, de longo prazo -, para 12 a 14% em 2001. Isto é mais ou menos o que foi proposto dias atrás, mas sem a posição formal do Conselho de Política Monetária.
-Tanto no caso dos juros como no ajuste fiscal, os setores produtivos confiam que o País tem mais sorte do que juízo. Então passam a torcer para um final feliz nas negociações com o FMI.
-Dependendo do resultado das negociações com o FMI, o governo tem espaço para reduzir os juros de forma significativa. Esse é um ponto nevrálgico e a mudança rápida na política de juros contribuiria para aumentar a credibilidade do governo, afirmou a diretora do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômico da Fiesp, Clarice Seibel, ontem à Agência Estado. Ao reduzir as taxas de juros, a equipe econômica estaria criando um ambiente mais condizente com o desenvolvimento. Com a decisão de baixar os juros, o governo também estaria contribuindo para ganhar o apoio da classe empresarial para o ajuste fiscal.
-Os empresários apostam na vertente política. O custo do dinheiro é elemento vital de sobrevivência. Se o Copom baixar os juros, poderá eliminar uma área de atrito com o setor produtivo e, com isso, evitar uma pressão maior contra as propostas para o aumento da carga tributária, que podem ser negociadas.
-E há lugar para otimismo neste quadro. A queda das taxas de juros, para o vice- presidente do Ciesp, Mario Bernardi, é inevitável. O governo está sendo pressionado e deverá atender as reivindicações, ao menos com uma pequena redução no porcentual. Para ele, será uma decisão em defesa própria, uma vez que a manutenção dos níveis atuais significa a perda de todo o esforço para o ajuste fiscal.
-Para fazer o elefante do ajuste fiscal se mexer, a aposta dos empresários é outra, é no FMI. O acordo que deverá ser assinado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional deverá dar um pouco mais de fôlego para que o governo promova o ajuste fiscal. Deverá também permitir que muitas empresas rolem suas dívidas no exterior, evitando assim que recorram a créditos internos, a custo mais elevado.
Milho/atacado





