Oswaldo Petrin
-Os investidores internos ainda não procuraram abrigo no mercado de imóveis, diante da turbulência do mercado acionário e das incertezas do setor financeiro. Porém, se o governo continuar relutando e dando margem a mais especulações, isto pode acontecer a partir de hoje, afinal, convenhamos, imóveis dão mais segurança. Liquidez à parte.
-Mas, por enquanto, a única mudança palpável no setor imobiliário é um aumento no volume de vendas em decorrência de decisões mais ágeis na hora de comprar. O empresário Luiz Alfredo Dornfeld, de Curitiba, explica melhor: As pessoas estão decidindo mais rápido; antes (do pacote) elas estavam relutantes; agora apressam o fechamento. O mercado pode interpretar isto como mudança de cenário.
-Dornfeld é diretor da Área de Compras do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Administração e Incorporação de Imóveis, Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado do Paraná).
-Dornfeld comenta: Acho que quem tem dinheiro na mão está com receio de perder no curto e médio prazos porque o governo fica anunciando as mudanças com meias-palavras. O empresário vai buscar um exemplo no que ocorreu ontem na sua empresa. O cliente comprou quatro quitinetes de uma vez alugadas. Meses atrás teria comprado uma por vez, com largo intervalo entre as compras.
-O fato do imóvel estar alugado, hoje, é ponto positivo.
-A opção pelo imóvel é melhor que a poupança quando a liquidez não é a variável determinante para o investidor que tem outras fontes de renda. A Poupança, a 6% mais TR, perde para o imóvel que render 1% ao mês mais a sua própria valorização.
-Os analistas econômicos dizem que não, mas a opção pelo imóvel é melhor - observa Dornfeld -, dando exemplo da casa: imóveis que nossa empresa vendeu três a cinco anos atrás por US$ 25 mil, hoje valem US$ 40 mil, e ainda renderam o valor do aluguel. (12% ao ano do valor do imóvel).
-Em São Paulo, a expectativa com o ajuste fiscal e de desvalorização da moeda após as eleições levaram os investidores a buscar segurança nos imóveis. Segundo o Secovi, de cada 100 imóveis colocados em oferta de venda em setembro, 6,80 (ou 6,8%) foram vendidos. Esse indicador era de 5,80 (5,8%) em agosto. As unidades dos empreendimentos com valores entre R$ 75 mil e R$ 125 mil continuaram apresentando melhor ritmo de escoamento, com índice de vendas de 10,9% em setembro de 1998. A velocidade de venda média nos primeiros nove meses de 98 foi de 7,9%, inferior, portanto, ao desempenho médio de 97 (9,9%).
Milho/alta





