-Quem estava incomodado com a deflação (todos, afinal, no nosso caso, ela expressa recessão e falta de demanda), pode ficar tranquilo: os preços, em outubro, reagiram. Mais do que deviam, aliás. Claro que a elevação dos preços não é parâmetro para se aferir retomada de demanda. Eles podem aumentar mesmo com o consumidor mergulhado em dificuldades. O comportamento dos preços, entre outros indicadores, aponta o comportamento da economia no curto prazo.
-Ontem, em São Paulo, divulgaram mais um desses indicadores. Após três meses consecutivos de deflação, os preços no comércio varejista voltaram a subir em outubro, segundo pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). A alta quadrissemanal do Índice de Preços no Varejo (IPV) apurado pela entidade foi de 0,89% no Índice Geral.
-De acordo com análise feita pelos economistas da FCESP, os preços que mais colaboraram para esta alta foram os dos produtos alimentícios. Este grupo teve seus preços elevados em 2,07% em outubro. Os técnicos da entidade explicam que as lavouras foram prejudicadas no Sul pelas chuvas e no Sudeste pela forte variação de temperaturas, reduzindo a oferta de alimentos. Na quarta semana de outubro em comparação com a terceira, os preços dos alimentos voltaram a cair, indicando estabilidade para o médio prazo.
-A pesquisa também mostra que o setor de vestuário continua sofrendo com o saldo negativo nas vendas. Tanto na quadrissemana quanto no índice semanal ocorreram quedas de preços: 0,59% para a quadrissemana e 1,8% para a semana.
Os economistas da FCESP também avaliam as expectativas para as festas de final de ano e as consequências do ajuste fiscal nos preços. ‘‘Com os dados que se tem atualmente, pode-se concluir que a demanda não é suficientemente forte para alavancar as vendas de Natal, e muito menos para arcar com repasses de impostos’’, analisam. ‘‘O Natal e os impostos vão afetar diferentemente os setores, mas na média o consumo deve cair mais do que o preço aumentar, confirmando os prognósticos de recessão para o final deste ano e começo de 99’’. (Agência Estado)
-Ainda sobre o comportamento do mercado consumidor: o número de carnês em atraso diminuiu no mês de outubro. Ao mesmo tempo aumentou o volume de carnês com prestações atrasadas que foram quitados. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou no mês passado 311.730 carnês em atraso, 36,5% a menos do que em setembro e 5,9% a menos do que em outubro do ano passado. O que ocorre em São Paulo pode ser extrapolado para todo o País, com pequena margem de erros. No geral o comportamento do comércio é o mesmo, exceção apenas para pequenas cidades no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Nos centros urbanos que concentram maior número de pessoas, os indicadores são bem semelhantes, quase iguais. Esses dados todos são para mostrar que a inadimplência continua alta. De janeiro a outubro, foram registrados 3.935.445 carnês em atraso, 51,9% a mais do que em igual período do ano passado.

Milho/lotes

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