-Não se pode afirmar que a agricultura está totalmente livre da parcela da dívida securitizada que vence no próximo dia 3, terça-feira. O Conselho Monetário Nacional que deveria decidir sobre a medida, em vez de se reunir no vencimento do prazo, marcou reunião para o dia 5, quinta. Foi o ajuste econômico que atrasou a reunião. E os agricultores, sem dinheiro e temendo o ônus do atraso do pagamento, passaram a semana inteira preocupados, enquanto suas lideranças tentavam a prorrogação. Argumento principal: frustração de safra por execesso de chuvas, para uns, ou por estiagem, para outros.
-Só na noite de ontem é que chegou uma solução que ainda precisas ser confirmada: A prorrogação do pagamento das parcelas da dívida securitizada dos agricultores, que deveria ter sido aprovada ontem por decisão ‘‘ad referendum’’ do CMN, controlou um foco de resistência que poderia dificultar a conclusão da votação da reforma da Previdência na próxima semana. O adiamento da reunião do CMN para a próxima quinta-feira tinha causado irritação na bancada ruralista, que conta com a fidelidade de mais de 200 deputados e não gosta de ser enganada pelo governo. A notícia saiu de Brasília na esteira de uma decisão política.
-Os coordenadores da bancada já haviam fechado acordo com a equipe econômica para a aprovação do alongamento da dívida nesta semana. ‘‘A bancada não vai levar bola nas costas’’, disse o vice-líder do PFL na Câmara, deputado Abelardo Lupion (PR), coordenador de negociação da bancada ruralista, em entrevista ao repórter Nelson Breve, da Agência Estado.
-Com a aprovação do alongamento da dívida, que tem parcelas vencendo amanhã, a bancada está pronta para aprovar a reforma da Previdência e o ajuste fiscal.
-‘‘Como as medidas não afetam diretamente a agricultura, não deverá haver reação contrária’’, acredita Lupion, lembrando que a bancada ruralista ainda tem algumas pendências com o governo que só serão tratadas depois do ajuste fiscal. ‘‘A crise mundial nos pegou no contra-pé e atrapalhou nossa agenda’’, disse o deputado. Mas ele não está seguro de que algumas medidas do ajuste fiscal como a contribuição dos servidores ativos e inativos e o aumento da alíquota da CPMF sejam aprovadas com facilidade.
-Ele avalia ainda que haverá uma reação muito grande à CPMF e lembra que votou contra essa contribuição quando foi prorrogada. ‘‘É um imposto antipático que afeta toda a população, mas temos que fazer alguma coisa, pois não podemos ficar com um déficit permanente’’, argumenta, acrescentando que neste momento é preciso esquecer o populismo. Outro problema identificado pelo vice-líder do PFL é o ressentimento dos parlamentares que não conseguiram se reeleger. ‘‘Tem muita gente querendo dar o troco no governo’’, afirma Lupion, prevendo um trabalho redobrado dos líderes governistas na próxima semana para reunir suas bancadas e convencê-las a derrubar os três últimos destaques da oposição.

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