Oswaldo Petrin
-Enquanto a PUC, ideologicamente e politicamente acima de qualquer suspeita para analisar medidas do governo, tem opinião favorável ao ajuste fiscal - expressa através do professor Dionísio Dias Carneiro -, executivos de bancos estrangeiros fazem reparos e expressam ceticismo. Até agora não tínhamos tido um programa com desdobramentos importantes, como a reforma da previdência, a reforma tributária, legislação de responsabilidade fiscal, entre outros, assnalou o professor. Já os banqueiros mostram pessimismo.
-Vejamos agora a avaliação de dois banqueiros: O período de turbulências e incertezas dos investidores externos com relação ao Brasil vai durar mais um tempo. A divulgação do programa de ajuste fiscal ainda não é suficiente para recuperar a credibilidade do País porque os investidores querem, agora, ver o início da aprovação das medidas pelo Congresso Nacional. A avaliação é partilhada pelos economistas Carlos Kawall, do Citibank, e Odair Abate, do Lloyds Bank. O ceticismo tende a continuar até que as primeiras medidas sejam aprovadas, diz Kawall, em entrevista à repórter Denise Neumann, da AE.
-Kawall também acredita que a concretização do acordo com o FMI está condicionada aos primeiros sinais de apoio dos parlamentares. A primeira prova, observa, pode ser a aprovação da Reforma da Previdência, que tem votação marcada para o próximo dia 4. -O clima de confiança ainda vai demorar um tempo para voltar, observa Abate. Mas o mês de novembro já poderá terminar com um fluxo negativo menor. Em novembro, observa, vencem apenas US$ 395 milhões em títulos, uma dos menores vencimentos em muitos meses.
-Em outubro, foram US$ 1,9 bilhão de títulos vencendo, a grande maioria dos quais tiveram de ser pagos no exterior, transformando-se em saída de dólares. Se ocorrer algum avanço no Congresso e vier o aporte de recursos do FMI, o humor pode mudar, avalia.
-A divulgação, pelo ministro da Fazenda, da expectativa de uma taxa média de juros de 22% em 1999, continua a surpreender os economistas. A taxa é considerada muito alta, conservadora. Este nível de juros é semelhante ao que era esperado para 1998 antes da crise russa e, agora, países da Europa e os Estados Unidos já reduziram suas taxas, pondera Abate. É um nível muito alto.
-O economista-chefe do Citibank trabalhava com uma taxa média de 20% no próximo ano. Ele também considera o nível de 22% elevado. Mas é melhor o governo ser menos otimista e depois trabalhar com uma taxa menor, do que o contrário, observou. Se a equipe sinalizasse uma taxa menor e depois fosse obrigado a trabalhar com juros maiores, seria pior, pondera.
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