Oswaldo Petrin
-Já tem gente bem informada achando que poderia ser pior e que o pacote não é tão feio como se pintou. É que o governo usou uma tática nada original, mas que funcionou: criou uma expectativa demasiado pessimista em que todos esperassem o pior para, depois, fazer prevalecer a avaliação de que o remédio não é tão amargo.
-No entanto, uma análise mais comedida sugere que ainda é cedo para prever como o ajuste vai impactar sobre a economia e qual o setor mais castigado. A princípio, se tudo converge para um agravamento da recessão, todos serão prejudicados. Basta que o consumo em geral (no economês: demanda agregada de bens duráveis e não-duráveis) venha a cair ainda mais. Quadro que, aliás, já se configurava antes do pacote, expresso na deflação dos últimos meses, fenômeno que renega conceitos elementares da livre iniciativa do mercado, pois indica ausência de circulação de dinheiro, de negócios e de consumo.
-O pacote passa longe de ajuste cambial, indicando que os setores produtivos, geradores de renda, continuam penalizados em pelo menos uma de suas vertentes, as exportações.
-No entanto, prevaleceu o uso do instrumento monetário, eficaz, porém pernicioso para economias emergentes. É como se o governo tivesse em mãos a torneira que irriga a economia, com o arbítrio de fechá-la e regular a vazão quando achasse necessário. O recurso monetário é simplista e requer menos esforço do governo na sua execução e nenhum esforço dos seus técnicos na criação. Malan, de espectro monetarista, não teria dificuldade para expor ou explicar o programa.
-Na prática os agentes econômicos, antes de qualquer anúncio de adequação devem esperar: a) A aprovação do ajuste e os cortes que o Congresso vai lhe impor, b) Qual o tamanho definitivo do pacote, c) Qual a extensão da sua vigência, d) Que metas deve ele cumprir para o governo flexibilizá-lo (com a volta da taxa anterior da CPMF, por exemplo), e) Como as novas taxas de IR, CPMF e outras siglas, vão rebater nas margens das empresas.
-Sem indicadores mínimos desse cenário, não dá para avaliar o tamanho do estrago. Há quem diga que a primeira impressão deixada pela dimensão das medidas anunciadas foi relativamente positiva. Talvez fossem os casos a) da meta de superávit fiscal para 99, de 2,6% do PIB, b) da estabilização da dívida líquida em 44% do PIB a partir de 99.
-Medidas polêmicas como - o aumento da contribuição da Previdência para os servidores e a criação do gatilho fiscal, a lei que obrigará os estados, municípios e a União a respeitar o limite de 60% dos gastos com o funcionalismo instituído pela Lei Camata - vão esbarrar no paternalismo dos partidos de oposição. Coincidentemente o saco-sem-fundo do custeio do setor público ocorre nos Estados onde o governo perdeu as eleições.
Malan





