Oswaldo Petrin
-Por incrível que pareça, o ajuste fiscal, sinônimo de mais recessão, tem defensores. Segundo a Agência Estado, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), reiterou ontem que a indústria é contra o aumento de impostos, mas que apóia as medidas de ajuste, porque embora duras, elas são necessárias. Para evitar o aumento de impostos, Bezerra propôs o envio imediato da reforma tributária ao Congresso.
-Não é normal, pelo menos, que um dirigente de entidade produtora - da agricultura, comércio ou indústria, como é o caso - concorde com medidas recessivas, como as do pacote que se anuncia hoje. Mas, como diz a notícia, na opinião do senador, a indústria nacional não pode continuar perdendo a sua competitividade numa economia globalizada, porque isso significa redução de emprego e o agravamento da questão social. Então, ele prefere negociar com o governo e em contrapartida às duras medidas de ajuste fiscal é preciso estabelecer mecanismos para acelerar a redução das taxas de juros, facilitar as exportações e, sobretudo, dar uma demonstração firme, que nunca foi dada, de que vamos ter uma reforma tributária o mais breve possível, argumentou o senador.
-Bezerra propõe, diante da dificuldade de se aprovar a reforma tributária ainda este ano, a mudança da data do ano fiscal para o mês de junho. Com isso, teríamos condições de aprovar a reforma tributária para que ela possa entrar em exercício no próximo ano fiscal, a partir de junho, defende.
-Quanto mais rápido forem tomadas as medidas para promover o indispensável ajuste fiscal, mais rapidamente sairemos dessa situação, sem por em risco as conquistas dos últimos quatro anos, que foram importantíssimas. Apesar do espectro da recessão, não há caminho, contudo, sem o fim do crônico desequilíbrio das contas públicas, disse Bezerra.
-O presidente da CNI não é o único. O professor de economia e decano da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Luiz Roberto Cunha, se disse animado com o pronunciamento feito ontem à noite pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente, afirmou, apenas deu as linhas gerais do que será anunciado hoje, mas cumpriu o que, para Cunha, era a tarefa mais importante neste momento.
-Este é mesmo o nó górdio a ser cortado para que o País possa equilibrar definitivamente as suas contas, resumiu Cunha. Fernando Henrique nada disse que causasse supresa, assinalou. Afinal, as medidas que ele pincelou, como aumento de alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e recolhimento de contribuição dos servidores para a Previdência já eram dadas como certas.
Milho/atacado





