-Stefanello disse ontem, em Curitiba, que o País vai importar menos alimentos de origem vegetal (arroz, feijão, milho), exceção do trigo, que não tem jeito. Experiente, condicionou esta redução à boa performance da safra de verão. Foi óbvio. Fez o discurso que agricultores gostam. Mas é melhor ouvir Stefanello transmitindo otimismo do que conviver com ameaça de importações, como normalmente fazem homens do alto escalão.
-O presidente da Conab não foi o único a dar notícia boa, em meio a um cenário adverso. O outro sinal de alento é que o governo vai utilizar os mecanismos de Prêmio de Equalização de Preços (PEP) e de opção de venda para agilizar a comercialização da safra ano que vem. O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros, disse ontem à Agência Estado que os técnicos estudam o lançamento, em breve, de opções de venda de milho, para dar uma sinalização de preços para o mercado.
-Mendonça concorda com a expectativa do mercado, de que a entrada da safra 98/99 será complicada, mas acha que alguns fatores atenuantes podem melhorar a situação dos agricultores. Primeiro - e o mais importante - é a expectativa do governo de reduzir as taxas de juros no início do próximo ano. ‘‘No momento da colheita, os juros devem estar em nível bem mais baixo do que o patamar atual’’, previu.
-O grande temor do setor agrícola é quanto a uma possível queda de preços com a entrada da safra 99, que provavelmente será recorde. Outro ponto que deve segurar os preços, na opinião de Mendonça, é o nível dos estoques oficiais, praticamente zerados.
-Ele destacou ainda o menor efeito de uma possível recessão sobre demanda de alimentos, que sempre fica mais preservada. O secretário acredita ainda que alguns setores da agricultura, como café, laranja e açúcar, terão bons resultados no ano que vem, o que deve ajudar na manutenção da renda agrícola em 99.
-‘‘O ano que vem será de menor oferta de café, com certeza, e não existe nenhum outro país que possa ocupar esse espaço’’, afirmou Mendonça. O resultado será, segundo ele, o aumento de preços. Para a soja, o secretário acredita que os preços podem ter atingido o seu piso. Destacou a revisão para baixo da safra norte-americana e a própria queda da safra brasileira.
-Também em relação ao açúcar, o secretário está otimista. ‘‘Este foi um ano de forte ajuste para o setor sucro-alcooleiro, e o próximo deve mostrar recuperação’’.

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