-O Conselho Interministerial do Álcool (Cima) decidiu ontem, em reunião na Casa Civil da Presidência da República, mudar o critério de pagamento do subsídio do álcool. O subsídio que até agora é repassado para as distribuidoras, será dado agora diretamente ao produtor através de sua cooperativa. Essa decisão deverá ser divulgada nos próximos dias por meio de resolução do Cima a ser publicada no Diário Oficial da União.
-Para o consultor do setor sucroalcooleiro, Pedro Robério, a decisão vai igualar o preço do produto do Nordeste ao de todo o País e desestimular o comércio fraudulento do produto, que ia para a região apenas para receber a equalização dos preços garantida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo Robério à Agência Estado, o subsídio aos produtores do Nordeste será de R$ 187 milhões, sendo R$ 5,07 por tonelada de cana.
-Ainda na reunião de ontem, o Cima referendou a autorização para a compra de 300 milhões de litros de álcool feita pela Petrobrás para a redução do estoque excedente do produto.
-Outra decisão anunciada ontem: o governo adiou para fevereiro do ano que vem o prazo para a liberação dos preços do álcool hidratado e da cana de açúcar vendida aos usineiros. Inicialmente prevista para ocorrer em maio deste ano, a liberação já havia sido adiada uma vez, para o dia111º 1º de novembro. O secretário-executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Paulo Jobim, disse ontem que nos próximos meses o governo reformulará o processo de subsídio do álcool no Nordeste para preparar o mercado para o fim do controle de preços.
-Ainda sobre a decisão do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool. O órgão estabeleceu que o subsídio - pago atualmente aos usineiros nordestinos para permitir que o álcool seja vendido aos consumidores por um preço inferior ao da gasolina - vai mesmo ser repassado aos produtores de cana.
-A idéia é alterar esse processo, estabelecendo que o subsídio passe a ser pago aos produtores de cana, que poderão revender o produto pelo preço que quiserem. Assim o governo tentará garantir que o álcool continue a ser mais barato que a gasolina e combaterá, ao mesmo tempo, as fraudes que vinham ocorrendo na concessão do subsídio aos usineiros.
-O Cima também decidiu acabar com o desconto de 85% na alíquota do
Imposto sobre Produto Industrializado concedido atualmente aos produtores de açúcar do Nordeste, que tem custos de produção mais altos. A partir de fevereiro, segundo explicações do ministério, à repórter Isabel Versiani, os produtores de todos os Estados terão que pagar a alíquota cheia de 12%. Como os produtores de açúcar passarão a ser subsidiados, os seus preços serão reduzidos e os usineiros não precisarão mais da compensação.

Soja

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