-Enquanto o Brasil penaliza seus produtores (grandes, médios, pequenos ou míni), outros países tratam de preservar a atividade. Primeiro foi a Rússia. Mesmo quebrado, o governo russo ampliou o volume de recursos, esticou os prazos das dívidas até o ano 2005 e embutiu subsídios inimagináveis. A política fiscal da Rússia, absolutamente debilitada, pode não permitir, mas como se trata de produção de alimentos - para consumo e exportação - dá-se um jeito. Se o mesmo tratamento fosse dado aqui no Brasil as oposições tentariam cassar o presidente.
-Agora quem negocia dívidas e aumento de recursos para os produtores são os Estados Unidos. Segundo a agência Estado e Dow Jones, ontem, os parlamentares democratas votaram no Congresso dos Estados Unidos um plano de US$ 6 bilhões (com taxas de 50% do mercado) de ajuda aos fazendeiros norte-americanos, mas ainda estão definindo com os republicanos detalhes da ajuda à indústria agropecuária. Os dois partidos de oposição e situação divergem quanto aos valores; quanto à idéia de financiar e subsidiar a produção, os pontos de vista são convergentes: todos acham que deve haver volumoso investimento na agricultura.
-O senador Byron Dorgan afirmou que ‘‘este tem sido um processo longo mas este plano não vai ser a solução da crise agrícola. É uma pequena vitória de uma grande batalha.’’ O secretário da agricultura Dan Glickman disse que ‘‘a medida tem um nível de assistência suficiente para ajudar os produtores norte-americanos a enfrentar a pior crise agrícola da década.’’
-Os democratas pleiteavam US$ 7,3 bilhões para os agricultores, substancialmente mais do que os US$ 4,2 bilhões aprovados pela Câmara e Senado republicanos. O presidente Bill Clinton vetou todo o projeto de lei de US$ 60 bilhões dentro do orçamento fiscal de 1999 pois considerou as reservas ‘‘inadequadas’’. Para atingir o acordo, os democratas desistiram de sua proposta de auxílio de um ano em empréstimos para os produtores de commodities.
-A proposta de empréstimo estava estimada em um gatilho de US$ 5 bilhões em pagamentos a produtores, mas os republicanos a acusaram de ser uma volta aos dias anteriores à lei agrícola de 1996, quando os subsídios estavam ligados à produção. No lugar dela, o novo pacote se concentrará em um alívio para o desastre meteorológico e em pagamentos diretos aos agricultores. O líder minoritário no Senado, Tom Daschle, disse que cerca de US$ 1,6 bilhão devem ser destinados ao pagamento direto aos agricultores. O US$ 1,4 bilhão restante deve ficar para ‘‘pagamentos de perdas no mercado’’, para produtores que não sofreram uma quebra de safra mas têm que lidar com uma redução na renda por causa dos baixos preços.

Farinha

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