Oswaldo Petrin
-O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe) registrou deflação de 0,45% na primeira prévia de outubro. O cálculo envolve a inflação mensal até o dia 7 de outubro. A variação dos principais itens do IPC-Fipe na primeira quadrissemana de outubro foi a seguinte: alimentação, 0,07%; habitação, 0,11%; transportes, 0,66%; despesas pessoais, 0,32%; vestuário, 3,36%; saúde, 0,27%; educação, 0,32%.
-Este é o quadro. Vale para São Paulo e para o Brasil. Pelo menos os consumidores estão certos de que os preços não devem subir neste final de ano. Mas não há vantagem nenhuma se não houver consumo - ou pelo menos bolhas de consumo, comum em épocas semelhantes -. Como diria o comerciante da esquina: não é a mercadoria que está cara, é o seu salário que está curto. Pelo jeito, agora, não é mercadoria que está barata; é o dinheiro que sumiu.
-Veja acima que na realação dos deflacionados o vestuário encolheu mais: 3,36%. Justamente ele que normalmente, nesta época, se prepara para aumento da demanda, com habitual variação positiva.
-O setor de vestuário sobe porque as lojas estão recebendo os novos artigos da moda primavera-verão. Esses produtos são mais caros do que os da estação outono-inverno, que estão em liquidação. Já nos alimentos, a alta se deve à entressafra de carnes e aos aumentos de preços de cereais. O comportamento da inflação nos próximos meses vai depender das medidas que devem ser anunciadas pelo governo no próximo dia 20. Uma das medidas previstas é o aumento de impostos. Apesar de os impostos serem inflacionários, neste momento, de demanda fraca, os efeitos podem ser menores do que em períodos de economia estável.
-O presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri disse ontem - a Mauro Zafalon, da Agência Folha - que o país está revivendo os anos da administração do presidente Eurico Gaspar Dutra (1946 a 1951). Naquele período, diz o economista, o país vivia uma abertura econômica, com elevado grau de importações. O país queimou suas reservas e os preços internos despencaram. A queda foi tão grande que nos últimos 12 meses terminados em outubro de 1949 a deflação acumulada atingiu 5,58%. O país entrou em um círculo perigoso, segundo o economista. A demanda cai. Esta derruba os preços, que forçam a queda no nível da atividade. A consequência é um ritmo menor da economia, acelerando o desemprego.
-A demanda volta a cair, reduzindo ainda mais o nível de atividade, os preços e o emprego. Rizzieri prevê inflação de 0,1% para outubro, após três meses seguidos de deflação. A volta da inflação neste mês se deve aos aumentos nos setores de vestuário e de alimentos.
Soja/Chicago





