-O mercado brasileiro de soja viveu ontem momentos de quase euforia e muita expectativa. A previsão da produção de soja norte-americana, que chegou a ser calculada em até 81 milhões de toneladas neste ano, deve ser de 75,47 milhões (ainda um recorde), conforme dados divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
-Essa queda é uma grata surpresa para os brasileiros, afirmou ontem em
Chicago o analista Fernando Muraro, em entrevista a Mauro Zafalon, da Agência Folha. A soja, que já vinha tendo pequena recuperação devido à queda do dólar - o que permite, em parte, recuperação do poder de compra dos asiáticos -, teve alta de 4,35% ontem em Chicago. Essa queda na estimativa da safra dos Estados Unidos, onde 60% da soja já foi colhida, dá novo cenário para o mercado brasileiro, diz o cerealista José Pitoli, do norte do Paraná.
-O mercado reagiu, elevando os preços da saca do produto para R$ 13,30, contra R$ 12,70 na semana passada. Essa redução nos EUA deve elevar mais os preços do produto, o que é benéfico para os produtores e para a própria balança comercial do Brasil, o segundo maior produtor mundial de soja. O Brasil deve produzir 29 milhões de toneladas no próximo ano, segundo o Usda. Pitoli e Muraro concordam que o produtor deve ficar muito atento aos preços a partir de agora. As previsões anteriores de preços eram muito pessimistas para o mercado brasileiro, indicando valores inferiores a US$ 10 a saca em 99. Agora, os produtores devem exigir de US$ 11 a US$ 11,50 por saca.
-Só assim para melhorar o humor dos produtores brasileiros, humor estragado pela sobrevalorização do câmbio, em que a soja é um dos itens mais prejudicados. Por falar em câmbio, mais um órgão debita ao erro na política cambial a armadilha dos juros. É o Instituto Brasileiro de Economia. Diz o órgão em documento (‘‘Carta do Ibre’’) divulgado ontem: A política rígida de câmbio é responsável pela taxa de juros alta da economia brasileira, diz o Ibre em editorial da revista ‘‘Conjuntura Econômica’’ divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). O economista Lauro Vieira de Faria, redator-chefe da revista, afirmou que o governo precisa adotar uma política flexível, depois de realizar o programa de ajuste fiscal e conseguir ajuda financeira internacional.
-Não há novidade nisto. Mas é para deixar claro: câmbio rígido fez com que a instabilidade das moedas internacionais tivessem efeito na economia nacional via taxa de emprego e atividade industrial. ‘‘Nossa moeda é uma das poucas que não flutuam’’, lembrou Lauro.
-O documento do Ibre reconhece que o instrumento já foi útil para conter a inflação, mas em um cenário de muito crédito externo e pouca movimentação de capitais - bem diferente do atual. Faria acrescentou que o déficit público, aliado à política cambial, mantêm e alimentam a taxa de juros altos.

Milho/atacado

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