Oswaldo Petrin
Oswaldo Petrin
Reação imediata
As restrições às importações adotadas pelo governo brasileiro já começam a incomodar. Na quarta-feria, o Ministério da Agricultura divulgou portaria com a relação de itens que precisam de Licença de Importação (LI) antes do desembaraço aduaneiro e de inspeção sanitária, fitossanitária ou controle tecnológico. E, ontem, veio o troco. Os EUA disseram diagnosticar indícios de que o Brasil está adotando medidas protecionistas. E fez ameaça sem disfarce, ao dizer que vamos reforçar nossas leis contra ameaçadas desleais.
Bem que um dirigente de cooperativa do Paraná alertou esta coluna, dias atrás: É bom a gente não se empolgar muito - disse - estas restrições às importações são para agradar a indústria e o produtor brasileiros; os EUA e o próprio Mercosul não vão aceitar.
Uma notícia divulgada ontem pela Agência Estado expressa bem a preocupação norte-americana. Sob pretexto de estarem ameaçados com supostas práticas desleais de comércio, os Estados Unidos voltaram a alertar os seus parceiros comerciais com a possibilidade de ampliar as suas leis e regras protecionistas, entre elas barreiras não-tarifárias ou aumento de tarifas nas licenças de importação.
A representante de comércio dos EUA, Charlene Barshefsky, disse que o governo norte-americano tem visto vários indícios de que alguns países latino-americanos, entre eles o Brasil, começaram a adotar algumas políticas protecionistas. Por enquanto não é nada dramático, mas, com certeza, vamos reforçar as nossas leis contra práticas desleais de comércio, ameaçou Barshefsky.
As exigências de licença prévia com inspeção fitossanitária para as importações de animais, vegetais e seus derivados, e de certificados técnicos para produtos farmacêuticos e químicos, determinados pelo governo brasileiro e que começam a entrar em vigor a partir de ontem, estão na mira de Barshefsky.
Os EUA não lembram, entretanto, que contam com 89 mil barreiras técnicas no âmbito federal e estadual e com um exército de 44 mil fiscais e burocratas para restringir as importações, principalmente latino-americanas. As regras norte-americanas são ainda mais drásticas do que as medidas que o Brasil está adotando para desacelerar as importações.
Com tantas barreiras não-tarifárias e com tamanho exército de fiscais, os EUA são, por exemplo, os campeões em ações e direitos anti-dumping ou médias compensatórias. Em 1996 (últimos dados oficiais da Organização Mundial do Comércio), os EUA haviam aplicado 298 ações e direitos anti-dumping; a União Européia, 132; o Canadá, 93; e o Brasil apenas 24.
Ajinomoto
A Ajinomoto (do setor de condimentos) está introduzindo no mercado a Activa, uma enzima voltada para a indústria alimentícia, aplicada em todo tipo de alimento proteico, como a carne.
Activa
A Activa permite, por exemplo, a reestruturação de várias partes da carne em uma só peça. Ao contrário da maioria das enzimas que catalisam a quebra de particulas, esta promove a ligação das moléculas protêicas.
Textura
No Japão e EUA é usada pela indústria para melhorar a textura de produtos alimentícios. Age na textura dos alimentos melhorando a palatabilidade, sem mudar sabor, ph, e cor. Mas deixa o produto mais apresentável.
Carne
A Activa será lançado na Feira Internacional de Processamento e Industrialização da Carne, a Merco Agro, de 14 a 17 de outubro, em Chapecó. Presentes as empresas do mercado de carne e frios do País.
Milho/atacado
O indicador de preço de milho, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 8,30/saca (-0,12%). Em dólar, a cotação ficou em US$ 7,01/saca (-0,14%). O valor a prazo subiu 0,12% (R$ 8,35/saca).





