O ministro da Agricultura, Francisco Turra, tem ‘‘reunião de emergência’’ hoje com lideranças do setor e político. Quer apoio para defender na área econômica do governo medidas que amenizem o impacto da crise. Já o presidente da Faep, Ágide Meneguette, em artigo aos jornais, alerta os agricultores para um período de extrema dificuldade econômica e sugere que se preparem racionalizando custos e outras medidas que reduzam a vulneralibilidade do setor, sacrificado desde o início do Plano Real, por defasagem cambial de 20%, além de outros gargalos.
O setor primário não é o único a ter que tomar muito cuidado. Vendas de insumos para a próxima safra, principalmente uréia e fórmulas aparentemente substituíveis; máquinas e equipamentos. Todos vão sofrer amarga recessão. Ontem a Confederação Nacional da Indústria mostrou sua preocupação com relação à balança de pagamento, exatamente em função do recuo dos produtos de origem animal e vegetal.
Também é da CNI estudo apontando queda na renda per capita do brasileiro. Renda pessoal ou familiar é o fator que determina capacidade de consumo e dá as dimensões do mercado doméstico. Perder renda massagra o consumidor (empregado) e penaliza o comerciante (empregador).
As exportações brasileiras continuam sofrendo. A redução na demanda por commodities por parte da Ásia e da Rússia tem provocado queda nos preços internacionais destes produtos, prejudicando a receita brasileira com as vendas externas de produtos básicos e manufaturados de origem agropecuária. Não só por este motivo, mas principalmente por causa do item commodities, o déficit comercial deverá ser de US$ 6 bilhões este ano.
A exportações poderão, no ano, cair cerca de 1,2% ante o total registrado no ano passado. No início do ano, a entidade previa que a diferença entre importações e exportações apresentaria um saldo negativo de R$ 5 bilhões, mas teve de rever suas estimativas diante do impacto que as exportações brasileiras estão sofrendo por causa da crise externa.
O governo continua trabalhando com a expectativa de um déficit de US$ 5 bilhões e com aumento das exportações de 3% a 4% em 98, em relação a 99 - no início do ano, os especialistas do governo acreditavam em uma expansão da receita com exportados de 11% a 12% sobre 97, porém a esperança de concretização destes porcentuais foi abandonada por causa da crise externa. Até setembro, o déficit da balança já está em aproximadamente US$ 3,8 bilhões.
Um exemplo: de janeiro a agosto, segundo a CNI, as exportações brasileiras para a Ásia representaram somente 28% do valor apurado no mesmo período de 97. A perda, em números absolutos, foi de US$ 1,5 bilhão. Mais: como na crise os países asiáticos desvalorizaram suas moedas e estão reestruturando seus parques produtivos, vêm se mostrando mais competitivos em terceiros mercados, os quais o Brasil também disputa. (Sobre este assunto veja nas páginas de Economia deste carderno).

Milho/atacado

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