Oswaldo Petrin
-É pouco provável que bancos e governo cheguem a um acordo, esta semana, sobre a alocação de recursos para a produção agrícola. Ainda sob a ressaca da eleição, qualquer definição na área econômica que implique em gasto, investimento ou empréstimo, não deve avançar. Os técnicos ainda estão alinhavando medidas que vão compor o pacote (naturalmente dissimulado e com outro nome) que vem aí, e que já mostra sua cara através das taxas do IOF, por exemplo. É o ajuste implacável que está chegando sem a preocupação de ser gradual ou homeopático.
-O ministro Turra tenta reverter a redução de recursos dos bancos privados provenientes das exigibilidades bancárias (25% sobre os depósitos à vista) que são canalizados para o setor rural, através da chamada 63 Caipira, que são recursos captados no exterior. É uma missão difícil. O próprio governo receia que os bancos estejam usando a crise como desculpa para canalizar o dinheiro da agricultura para outros setores mais seguros e com maior lucratividade.
-O governo não pode prescindir do ajuste. E a alocação de recursos é medida que esbarra no pacote. Embora as saídas de recursos do País diminuíram ontem, o ajuste está em marcha. O mais recente indicador é o fluxo de dólar, ontem: O mercado de dólar flutuante registrou um saldo líquido negativo (diferença entre as compras e vendas de dólares) de US$ 127 milhões (AE).
-Sobre a previsão de recursos, a estimativa, na semana passada, quando o ministro se reuniu com os mesmos agentes financeiros, era de que fossem captados US$ 500 milhões via 63 Caipira, mas este volume deverá ser reduzido para cerca de US$ 200 milhões por causa do alto custo da captação externa.
-Os recursos das exigibilidades bancárias dos bancos privados para este ano estavam estimados em R$ 2,7 bilhões, mas, conforme a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), deverão cair para R$ 1,7 bilhão por causa da queda dos depósitos à vista. O governo, no entanto, não está convencido desses dados, porque a Febraban está considerando um período muito longo (até agosto de 99) para fazer a estimativa de queda.
-O ministro da Agricultura, Francisco Turra, informou que, no dia 10, está programado um seminário para tratar da captação de recursos para financiamento agrícola. Até lá, segundo ele, o governo vai levantar novas informações no Banco Central sobre os depósitos à vista com a intenção de buscar outras fontes para suprir a redução de recursos dos bancos privados para a agricultura.
-Apesar dessa escassez de recursos e da alta de juros, Francisco Turra disse que os R$ 11 bilhões para custeio, investimento e comercialização da safra deste ano estão garantidos com as mesmas taxas de juros (8,75% ao ano para custeio e investimento e 5,75% para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf).
Milho/atacado





