-Para uma economia que precisa crescer entre 4,5 e 5% (para melhor distribuir a riqueza e absorver mão-de-obra que sobra no mercado) vamos fechar o ano com um PIB não superior a 1%. É o que projeta o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) em ‘‘Conjuntura Econômica’’, um relatório mensal, referente a setembro, divulgado ontem.
-Diz o Ipea: a atividade econômica vai se desacelerar nos próximos meses e, por isso, o Produto Interno Bruto (PIB), que deveria fechar o ano com expansão de 1,9%, não deverá conseguir superar um aumento de 1%. Essa revisão nas estimativas, que pode ser considerada bastante profunda, decorreu da incorporação, no modelo de projeções do órgão, as estimativas desfavoráveis que também já estão sendo feitas para a indústria e outros segmentos.
-Mas o pior está por acontecer, não querendo ser derrotista. É que a crise global nos remete para uma situação recessiva. A primeira mostra será dada logo após as eleições, uma figuração do ‘‘Day After’’. O governo, gradualmente, vai adotar medidas de contenção em todos os campos, inclusive nas suas próprias gastanças, coisa que não fez até hoje.
-Os instrumentos são os convencionais, aqueles que afligem mais o comércio, a indústria e o consumidor, porém exigem menos criatividade do governo: são os instrumentos de política monetária, sempre às mãos. Juros altos, consumo estancado e pronto. Economia engessada não cria riqueza mas também não mata o governo de susto. Mas é preciso deixar claro que isto só ocorre em economias vulneráveis, suscetíveis a ataques especulativos. Como a nossa.
-O cenário econômico mudou, por conta de uma política fiscal mais contracionista, combinada a uma nova retração e encarecimento no crédito, determinados pelas medidas tomadas para enfrentar a crise externa. Quando imaginava que a indústria cresceria 1% em 98, os técnicos do Ipea operavam com um cenário segundo o qual a indústria se recuperaria a partir de meados do terceiro trimestre. Agora, tal recuperação não deverá ocorrer. Não na magnitude prevista. A queda de expectativas quanto à indústria em geral baseia-se em um resultado muito ruim esperado para a indústria de transformação (-1,8%).
-O desempenho da indústria em geral, em 98, somente não será pior graças ao aumento de quase 10% a ser registrado pela indústria extrativa mineral. No caso da indústria de transformação, cuja previsão é de retração de 1,8%, entre as categorias de uso o destaque negativo deverá ficar, pelas projeções, com o segmento de bens duráveis: queda de 21,5% Já os bens não-duráveis devem crescer 1,1% e os intermediários, 0,1%.

Milho/atacado

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