-O setor agroindustrial está entre os itens ‘‘poupados’’ dos remanejamentos (e não cortes, segundo o governo) no orçamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ontem a diretoria do banco tranquilizou a indústria de máquinas agrícolas e de fertilizantes. A agricultura também seria beneficiada com possível implementação dos recursos para exportação. O governo, preocupado com a balança de pagamentos, quer manter alto o nível de exportação. Soja, café e citros estão no meio.
-O setor exportador foi poupado do corte diante da importância do
crescimento das exportações para a redução do déficit nas contas externas do país. O esforço não é só para evitar cortes como para receber um ‘‘reforço’’ no orçamento, segundo os técnicos, em recente reunião com dirigentes da Anfavea, preocupada com a redução dos recursos para financiamento de máquinas.
-O BNDES prevê que no próximo ano seus desembolsos para financiamento ao setor exportador serão de, no mínimo, R$ 3 bilhões. A estimativa é do diretor de Planejamento do banco, Sergio Besserman.
-Ele disse - em entrevista ao repórter Chico Santos, da Agência Folha - que ‘‘toda demanda de recursos do setor exportador será atendida, daí sua estimativa de que os financiamentos serão de R$ 3 bilhões ou mais. Este ano, o diretor do BNDES estima que o financiamento às exportações do banco somará cerca de R$ 2,3 bilhões. Até agosto os desembolsos do BNDES para financiar exportações somaram R$ 1,5 bilhão, com crescimento de 138% sobre os do mesmo período de 97.
-A estimativa inicial do banco era que este ano os financiamentos às
exportações chegassem a R$ 2 bilhões. O setor exportador está entre os poucos não atingidos pela recente decisão do BNDES de reduzir sua participação nos financiamentos a uma parcela máxima de 60% de cada projeto.
-Além das exportações, mantiveram a possibilidade de obter do banco estatal até 100% do projeto os investimentos sociais, as operações envolvendo a
participação de empresas brasileiras em concorrências internacionais e os financiamentos para máquinas agrícolas.
-No caso do setor agrícola, o limite de até 100% termina no final do ano, podendo ou não ser prorrogado. Como o orçamento do BNDES para 99 deverá ficar nos mesmos R$ 18 bilhões deste ano, o próprio Besserman estima que o setor exportador e os demais que permaneceram com o limite de 100% vão tirar recursos de outros segmentos.
-O BNDES reduziu seus limites de financiamentos porque estava com uma
demanda muito elevada por recursos e porque a crise econômica tornou mais difícil a captação de dinheiro no exterior para atender a essa demanda
crescente.

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