-Enquanto o ministro da Agricultura comemora a redução das importações de produtos lácteos, cuja concorrência sempre foi dramaticamente contestada pelos produtores nacionais, um respeitado membro do governo norte-americano no Brasil faz apologia da liberalização comercial. O representante-adjunto de Comércio dos Estados Unidos, Richard W. Fischer, afirmou que é muito importante que o Brasil continue o processo de liberalização comercial. Fischer está no Brasil desde segunda-feira e esteve reunido na manhã de ontem com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente.
-Num momento de turbulências como o atual, é mais prudente concordar do que cobrar postura comercial. Portanto, não seria o momento de expor ao sr. Fischer os problemas de barreiras impostos pelos EUA a produtos nacionais. Até porque, os norte-americanos não são os únicos, nem são piores que a União Européia, neste aspecto, por exemplo. De qualquer forma quando não são os calçados é o frango - como está ocorrendo este ano - que perde espaço no mercado externo.
-Mas Fischer tem lá suas razões. Segundo ele, os Estados Unidos estão olhando atentamente o que o governo brasileiro está fazendo para enfrentar a crise no mercado financeiro internacional.
-‘‘O Brasil é muito importante para os Estados Unidos. Nós temos muito interesse em ajudar’’, disse Fischer, em entrevista à repórter Adriana Fernandes, da Agência Estado, ao sair do Ministério da Fazenda.
-‘‘Em todos os países do mundo que estão sob pressão financeira a tentação S voltar para os regimes do passado. É muito importante que o Brasil continue o processo de liberalização comercial. Muitas mudanças foram feitas no Brasil para acabar com os regimes protecionistas.
-O representante norte-americano disse que os Estados Unidos estão ainda mais compromissados com a formação da Alca - Area de Livre Comércio das Américas - em função da crise financeira. Disse também que o Brasil fez mais progresso do que qualquer país da Asia para tornar a economia mais transparente e eficiente. No encontro, segundo Fischer, o secretário-executivo, Pedro Parente, deu informações sobre os próximos passos que o governo vai tomar para enfrentar a crise. Fischer, no entanto, preferiu não fazer comentário sobre o assunto, mas fez questão de elogiar o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, na semana passada, sobre a necessidade urgente do ajuste fiscal.
-É melhor assim. Enquanto os Estados Unidos aprovam as medidas do governo, pelo menos fica mais fácil viabilizar empréstimos ou outro tipo de ajuda mais à frente. O preço disso não é para ser discutido agora, momento de apagar incêndio.

Boi/SP

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