Oswaldo Petrin
-Ontem saíram os dados do IBGE sobre o crescimento da economia brasileira no ano passado (PIB), que expressa o valor do total de bens e serviços produzidos pelo país em um determinado período, no caso 1997.
-Uma ligeira apreciação dos números leva a inferir: A) a economia cresceu bem menos do que as necessidades de crescimento para distribuição de riquezas, considerando indicadores econômicos e sociais; B) Observado pelo lado da oferta de mão-de-obra, o crescimento foi modestíssimo: para o contingente de trabalhadores disponibilizado anualmente, o crescimento teria de chegar, pelo menos a 4,5% e não os 3,68% ontem divulgados; C) Por menor que tenha sido o crescimento do valor da produção ano passado, ainda assim terá sido maior do que o deste ano, embora não seja esta a projeção dos técnicos; D) Os efeitos da crise financeira global serão sentidos mais fortemente no primeiro trimestre do ano que vem, normalmente recessivo; E) Portanto, se apesar da crise, o PIB deste ano apresentar variação positiva (IBGE não faz projeção), o período amargo fica diluído até o primeiro semestre de 99. F) Mas tudo são conjecturas e o ritimo da economia será determinado pelos pacotes que vêm por aí, alguns bem decifráveis. Apertem o cinto!
-Os números seriam piores se a economia não sustentasse boa estabilidade. Os dados estão aí: o crescimento da economia brasileira, expresso pela variação do PIB (Produto Interno Bruto), foi de 3,68% em 1997. O número é 0,65 ponto percentual maior que o resultado divulgado em fevereiro deste ano (3,03%).
-Os valores nominais são portentosos: o valor total do PIB a preços correntes (sem correção) foi de R$ 866,83 bilhões, equivalentes a US$ 804,08 bilhões com base na cotação média do dólar comercial de 97 (US$ 1,00 = R$ 1,0780). O número em dólar não é de responsabilidade do IBGE, que divulga o PIB apenas em reais.
-A renda per capita, que é o PIB dividido pelo total de habitantes do país, cresceu 2,28% em 97, fechando o ano em R$ 5.430,03, equivalentes a US$
5.037,13.
-O crescimento industrial de 5,52% foi o maior responsável pelo número
alcançado pelo PIB de 97. O resultado industrial foi comandado pelos bons desempenhos da indústria automobilística, com crescimento de 14,31%; da
indústria de beneficiamento de produtos vegetais, que cresceu 11,41%; e da construção civil, que cresceu 8,45%.
-Nos demais setores, a agropecuária contribuiu com 2,69%, e os serviços participaram com 1,24%. Nos números divulgados em fevereiro deste ano, o crescimento industrial de 97 era de 5,28%; o agropecuário, de apenas 0,31%; e o dos serviços, de 1,13%.
Juros/EUA





