Não são apenas os investidores que desconfiam da inconsistência da economia brasileira. Também o mercado interno está meio temeroso. Além da retração do consumo - prejudicado pela recessão, desemprego e perda do poder de compra das pessoas -, as vendas das indústrias enfrentam outro fator adverso, desde o mês passado. Trata-se da prudência da classe média. Sem saber o tamanho da crise que vem por aí, as pessoas têm cautela muita na hora de comprar.
Alguém da Fundação Getúlio Vargas cantou a bola pelo menos três meses atrás: o segundo semestre seria ''refratário'', segundo a análise.
É chegada a vez do consumidor interno se fechar na defensiva. Ao contrários dos investidores que migram para abrigam mais fortes - como ocorreu na semana passada engrossando a poupança -, aqueles que aplicam toda sua renda nos bens de consumo, estão pisando no freio. Ocorreu em maio e junho.
O ambiente econômico e político está comprometendo as vendas, segundo uma análise da Confederação Nacional da Indústria sobre o desempenho do setor naqueles meses.
Segundo o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, em entrevista ontem à Agencia Estado, ''o ambiente econômico piorou''. Esta também é a opinião de economistas das áreas bancária e do comércio.
Segundo eles, quando a crise é detectada pela reação do dólar (e aumento do risco Brasil), é porque o consumidor interno também está compelido a rever seus gastos.
Além desse cenário, a indústria brasileira ainda tem que enfrentar a retranca do Banco Central, através do Conselho de Política Monetária, o Copom, que em abril acenou com a redução dos juros básicos. Não aconteceu.
Longe de flexibilizar os juros, o Copom foi obrigado a recuar, ou seja manteve as taxas nos patamares de maio.
O recuo do Banco Central refletiu nas taxas que o comércio cobra do consumidor. Refletiu em quase todos os setores: crédito direto ao consumidor, cheque especial e do cartão. O consumidor tem pavor das taxas de juros e foge do creditário, mesmo quando em prazos generosos.
A propóstio de crédito, o encurtamento dos prazos será o próximo passo para controlar o consumo e evitar aumento da inflação.
Outros indicadores da recessão nas indústrias são: redução de horas de trabalho, redução dos salários líquidos reais, redução dos postos de trabalho, com exceção do Estado de São Paulo e queda no indicador de salários com ajuste sazonal de abril para maio.

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