OSWALDO PETRIN - Sem ambição
Sem ambição
O Governo vai liberar crédito de R$ 18.9 bilhões para a safra de grãos 2002/03, que pode chegar a R$ 21,6 bilhões ao longo do período compreendido do plantio à comercialização, até março/abril do ano que vem. Houve um incremento de quase 29% sobre o volume do ano passado (R$ 14,7 bi).
É uma boa notícia, mas ninguém deve se empolgar achando que, de uma hora para outra, esses valores vão criar liquidez nos setores de insumos e máquinas demandados pela ponta da produção.
Em primeiro lugar é preciso diferenciar quanto desse valor é dinheiro novo, que entra agronegócio, e quanto resulta de renegociações de financiamentos. Aí podem estar incluída parcelas de dívidas anteriores, ou seja dinheiro que já está alocado na rubrica do crédito rural.
O plano é modestíssimo para um país que precisa tanto de fortalecer o setor primário para equação da balança de pagamentos, aumento da recenta em dólares, redução das importações.
E ainda precisa cuidar muito bem do abastecimento interno.
Afinal, tempos difíceis vêm por aí. Prenúncios é que não faltam como indicam indicadores como câmbio, índice de inflação, fuga de investidores, etc. E haja força para enfrentar ataques especulativos, em tempos de eleições.
Os juros, de de 8,75% ao ano, embora diferenciado para os padrões brasileiro, são altos se comparados às taxas praticadas em outros países. Isto, como bem lembrou o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (Agência Folha), ajudam a compremeter a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
A virtude do plano de safra anunciado ontem pode estar na oportunidade do anúncio. Veio sem demora e não se fez preceder de especulação. Chega a tempo de o produtor se programar. Isto é bom para quem depende de tantas variáveis para fazer sua opção por esse ou aquele produto. Se já não o fez.
Mas, além da notícia do crédito em sí (veja mais nesta página), há alguns pontos a serem considerados.
Em primeiro lugar, deve-se destacar o anúncio do Prodecoop, feito na mesma oportunidade pelo ministro Pratini, destinado ao desenvolvimento das cooperativas, que visa a modernização dos sistemas produtivos e de comercialização, para agregar e aumentar as exportações de produtos pecuários.
Para esse programa foram destinados R$ 250 milhões, conforme a Agência Estado.





