Em tempo inflação reprimida, nenhum governo aumenta suas tarifas imponemente, ainda que, para compensar, exija sacrifício da população privando-a do seu consumo básico. O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) divulgado ontem pela FGV, é prova disso.

A inflação de julho, medida por esse parâmetro, ficou em 2,05%, a maior desde 2000. Sozinha, a alta dos combustíveis (diesel, gasolina, GLP) respondeu por toda a alta de 0,31%. Combustíveis são preços administrados.

Pouco adiantou cortar o exigênio do comércio, da indústria, da economia, enfim.

No crepúsculo do mandato FHC, o Real pulveriza o esforço para manter reprimida a demanda, via arrocho salarial, desemprego, etc.

A mola espiral começa a se mexer antes de o atual governo tirar o pé que a prende sob o peso da recessão.

No caso de julho, os itens que não sofreram influência direta dos combustíveis, acabam atingidos indiretamente. Vale para atacado ou varejo. No atacado, o IPA (Índice de Preços por Atacado), que representa 60% do IGP-DI, registrou alta de 2,82%, a maior desde novembro de 1999 (3,59%). Em junho, a variação do IPA havia sido de 2,5%. Trigo (18,8%), soja (11,82%) e óleo diesel (8,04%) foram as principais altas no atacado. (Veja na 1 página deste caderno).

Juízo no Wall Street - Os bancos de investimentos de Wall Street impuseram uma espécie de lei da mordaça a seus analistas e estrategistas quando o assunto é Brasil ou eleições presidenciais. Segundo matéria da Agência Estado, ontem, o objetivo é evitar novas reações negativas, em relação às recomendações para a dívida ou ações brasileiras, que podem, inclusive, resultar em perdas de negócios no País.

Alguns bancos tornaram a medida oficial, como é o caso do Santander e, mais recentemente, do holandês ABN-Amro, onde o seu diretor de Pesquisa Econômica e Estratégia para Mercados Emergentes, Arturo Porzecanski, era um dos mais proeminentes porta-vozes do sentimento de Wall Street. Ontem ele foi falar sobre o Mercosul e disse que sua palestra não fosse reproduzida na imprensa.

Perfume francês - Os custos dos insumos podem ficar ainda mais salgados com a contínua elevação do dólar. Uma das saídas para o problema seria a produção de ''insumos genéricos'' (herbicidas, fungicidas etc.), assim como ocorreu com os remédios.

Perfume francês 2 - Essa bandeira está sendo encampada pelo médico e presidente da Sociedade Rural de Cornélio Procópio, João Batista Gomes. Segundo ele (em entrevista à Agência Folha, ontem), os produtores pagam preços de perfume francês por alguns insumos agrícolas. Os preços no Brasil, em alguns casos, são o dobro dos praticados no Paraguai.

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