Oswaldo Petrin - Sábado, Dia do Leitor
Vitor G. de Almeida, de Maringá: ''Gostaria que a coluna fizesse algum comentário a respeito das indenizações da Cosesp - Companhia de Seguros do Estado de São Paulo - em relação aos sinistros do ano passado pois já se passou mais de um ano e nada de nos pagarem. Ligo dia sim, dia não para a companhia e agora está faltando o repasse da verba por parte do governo.
Não financiei minha safra e perdi tudo; ainda devo insumos do ano passado. Isso é um absurdo pois nós já estamos descapitalizados. Pagamos caro por esse seguro e agora essa demora toda. Pergunto: É esse o respeito que a agricultura (que bancou esse plano real e outros passados) merece?''
Nota: o leitor Vitor Gomes de Almeida (e-mail [email protected]) é um dos 20 mil agricultores brasileiros (60% são paranaenses) que aguardam indenização pelas perdas das fortes geadas do ano passado. A pessoa responsável pelo andamento dos processos no Ministério da Fazenda, e que pode dar explicações, é Luiz Taka (021 61 412-4000). A Cosesp também pode orientar (11 9247-5998, Granato), mas não muito. A Companhia não tem culpa. A história, em resumo, é a seguinte:
1) Os prejuízos das geadas foram elevados (cerca de R$ 400 milhões).
2) Toda vez que o evento climático causa perda superior a R$ 70 milhões, a seguradora é obrigada por lei a recorrer ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural para ressarcir seus segurados.
3) Para azar dos agricultores este fundo é administrado pelo governo federal - embora o governo não contribua com nada pois o fundo é formado por 50% do lucro das seguradoras.
4) E para um azar ainda maior, este ano o Orçamento Geral da União não previu verbas para o fundo.
5) O fundo tem o dinheiro suficiente para indenizar as perdas, mas é preciso que isto conste do orçamento. Este ano não constava.
6) Aí o governo teve que encaminhar proposta ao Congresso pedindo suplementação de verba para o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural.
7) A notícia boa é que a suplementação foi autorizada pelo Congresso e o caso agora está no Ministério da Fazenda.
8) No Ministério da Fazenda fomos informados ontem que o pagamento só não foi autorizado esta semana porque a equipe econômica está em Washington negociando com o FMI. Em resumo é isto.
André L. Cabrera, de Jacarezinho: ''Continuamos na expectativa de uma resposta aos processos indenizatórios do seguro da Cosesp pelos estragos das geadas no ano passado. Até agora só promessa. Gostaria de saber a opinião desse jornal.''
Nota: ver respostas às demais cartas.
Arnaldo C. do Amaral, de Londrina: ''Sobre o seguro agrícola da safra passada que ainda não foi pago, todos nós agricultores que não recebemos, deveríamos passar um fax ou e-mail para o presidente FHC e o ministro Pedro Malan, cobrando os nossos direitos.''
Nota: o empresário Arnaldo Coelho do Amaral acrescenta uma informação ainda mais precisa, com base em informação do deputado Moacir Micheletto, que é a seguinte: ''Em virtude de os secretários executivos, Amaury Bier, do Ministério da Fazenda, e Guilherme Dias, do Ministério do Planejamento, estarem em Washington, onde realizam conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) por causa da crise argentina, o caso Cosesp será avaliado na próxima segunda-feira, 6 de agosto.''
Carlos A. R. Fonseca, de Manoel Ribas: ''Nada mais supérfluo do que a mudança de nome do Ministério da Agricultura. Nada tenho contra o novo nome, com a inclusão da palavra ''pecuária'', mas vê se isso é assunto para preocupação presidencial. Além de tudo, no Brasil, a palavra agricultura sempre subentendeu também agricultura e pecuária, em se tratando do Ministério ou de política do governo. No entanto, quero dar parabéns ao ministro da Agricultura, Marcos V. Pratini de Moraes, pelo esforço na exportação de carne bovina e pelo tratamento dado aos transgênicos.''
DROPS
Favoreto O empresário Pedro Favoreto, de Sertanópolis, para reforçar sua frota de equipamentos agrícolas, está adquirindo mais 17 tratores traçados, 8 plantadeiras/adubadeiras de 10 linhas, 10 arados, 7 subsoladores, 2 roçadeiras e 3 carretas para transportes de big-beg (que abastecem as máquinas em operação).
Investimento O investimento, cerca de R$ 1,1 milhão, expressa a confiança do produtor na agricultura, notadamente na próxima safra. O equipamento novo vai desfilar pelas ruas de Sertanópolis no dia 17 de agosto, uma sexta-feira. Na segunda-feira seguinte já segue para a roça.
Safra de verão Favoreto vai plantar 2,5 mil alqueires (6,050 mil hectares) nas fazendas que possui na região. O plantio desta safra de verão, a safra 2001/02, começa na primeira semana de outubro, mas muitos agricultores, como o Favoreto, já estão planejando este empreendimento de risco, adquirindo insumos e equipamentos.
Profissão de fé É a agricultura gerando empregos, garantindo as atividades nas pequenas, médias e grandes cidades, oxigenando seu comércio. Ontem, neste espaço, foi o presidente da Associação Comercial de Ponta Grossa, Douglas Fanchin Taques (produtor de sementes e empresário urbano com revenda de carros) que se mostrou confiante. Em outros municípios, empreendedores paranaenses fazem idêntica profissão de fé.
Safrinha Favoreto também é plantador de milho safrinha, cuja colheita se iniciou dias atrás. A safrinha de milho, além de dar suporte à atividade produtiva, tem uma função importante no abastecimento de milho, regulando mercado, evitando explosão de preços e garantindo lucro para o produtor.
Milho/P.Grossa Preço do milho em Ponta Grossa ontem variou a partir de R$ 8,70, com preço intermediário de R$ 10,00 e preço máximo de R$ 11,50. Em Apucarana, variou a partir de R$ 8,60 chegando a um preço máximo de R$ 9,50. Em Pato Branco, entre R$ 8,90 e R$ 9,00. Guarapuava também trabalhou com pouca variação, entre R$ 8,80 e R$ 9,30/saca. Observação: cotação de compra pelos atacadistas, pelo Sima/Deral/Seab.





