OSWALDO PETRIN - Preços ''impensáveis''
Nenhum analista do mercado de commodities - nem mesmo os chamados ''futurologistas'', aqueles que ousam um pouco mais nas suas projeções -, poderia prever que o mercado da soja pudesse, em tempo tão curto, sofrer a influência de duas variáveis tão fortes quanto convergentes: câmbio e clima.
Adriano J. Timossi, da FNP, disse que o mercado está vivendo dias de preços ''impensáveis''. Veja também opinião de Fernando Muraro, da Agência Rural, nesta página.
Ontem, todos estavam meio atônitos nas principais praças da soja: Cascavel, Maringá, Campo Mourão, Ponta Grossa, Rio Verde-GO e Rondonópolis-MT. A saca de soja posto-Porto de Paranaguá ontem: R$ 40,30/sc. Veja reportagem nesta página e indicadores na página 2 deste caderno.
O dólar comercial oscilou 9,23%, entre a cotação mínima de R$ 3,305 e a máxima de R$ 3,61. O Banco Central ofertou US$ 250 milhões ao mercado mas isto não impediu que o dólar atingisse novo recorde.
Traders disseram que, pela primeira vez, todos os mapas meteorológicos não divergiram na previsão de que o clima quente e seco deverá persistir pelos próximos dez dias no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Poucas vezes, como ontem, das 10 às 15 horas, a Chicago Board of Trade foi alvo de tantas atenções.
Mas, como observei nessa coluna, dias atrás: é melhor comemorar os efeitos do câmbio sobre o que exportamos a ter que amargar o seu estrago - inversamente proporcional - sobre trigo e outros itens importados.
A propósito, uma fonte do setor atacadista previu ontem que o dólar vai ser o grande bode expiatório da explosão dos preços em setembro. Nos fornecedores, no próprio atacado e na ponta do consumidor, é claro.
Voltando à soja: se depender da chuva no meio-oeste americando, só Deus sabe. Mas, se depender do câmbio, a turbulência continua durante a próxima semana. Um acordo com o FMI só fica pronto dia 9 próximo.
Mesmo com o governo norte-americano dando demonstração de boa vontade com o Brasil - como que se redimindo das declarações feitas dias atrás pelo secretário do Tesouro, Paul O'Neill - a reversão de tendência não se dá do dia para a noite.
Sejamos otimistas, porém. Assim como a Casa Branca já se pronunciou em favor do Brasil, outras economias também o farão. Além disso, Washington praticamente se retratou. Neste final de semana o mercado deve refletir e assimilar esta posição política e, então, as coisas voltarão ao normal - no mercado, porque na economia o estrago é irreparável.





