OSWALDO PETRIN - O Proálcool sem espaço
Pela terceira vez, desde de 1994, o atual governo recebeu, ontem, documento pedindo a reativação do Proálcool, Programa de incentivo ao uso do combustível vegetal (não poluente e empregador de mão-de-obra) nos motores de veículos de passeio. E, mais uma vez, os signatários da reivindicação ouvem respostas evasivas.
Em tentativas anteriores, a proposta esbarrou na indústria automobilística que não tem interesse na montagem do motor a álcool, apesar da tecnologia definitivamente aprovada e já completando 25 anos.
Ontem foi o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Sérgio Amaral, quem tratou de disfarçar qualquer avanço na retomada do Programa. O documento, desta vez, foi entregue pela Federação dos Plantadores de Cana.
Amaral reiterou seu compromisso em reativar o Proálcool desde que haja o compromisso do setor industrial de que não haverá desvio da produção para o açúcar - numa eventual melhora dos preços no mercado internacional.
O ministro afirmou que, se preciso, o governo estabelecerá mecanismos de controle das exportações de açúcar para garantir o abastecimento do mercado de álcool.
O ministro defende a assinatura de uma espécie de termo de compromisso pelo setor industrial sucroalcooleiro. O documento, segundo o ministro à Agência Estado, seria apresentado à sociedade como garantia de abastecimento.
O setor sucroalcooleiro precisa do Proálcool para melhorar o preço da cana-de-açúcar. O excesso de oferta de açúcar no mercado internacional reduziu o preço do produto e, consequentemente, da cana.
Mas, enquanto Amaral ''enrola'' o pessoal da cana, o ministro da Agricultura, Pratini, elogia a agroindústria. Ontem, ao receber o secretário-adjunto dos Estados Unidos para a América Latina, Otto Reich - com quem tratou sobre a participação do Brasil na formação da Alca -, Pratini afirmou que o Brasil tem a indústria sucroalcooleira mais eficiente do mundo.
Posições diferentes para interlocutores diferentes.
Se os EUA quiserem comprar 1 bilhão de litros por ano, a indústria tem condições de fornecer. No álcool, a barreira é a proteção dos EUA à sua produção de etanol, de milho. Mas, segundo Pratini, os EUA têm interesse em misturar álcool à gasolina, com potencial de demanda gigantesco.''
Entre Pratini - que se empenha em exportar -, e Amaral, que se preocupa com a concorrência dos preços do açúcar, o Proálcool fica fora mais uma vez.





