Produção e indústria carne suína respiram mais aliviados depois de um debate, ontem, em São Paulo, que acena com saídas para a crise atual, mesmo que a médio e longo prazos.
A carne de suínos terá selo e marca. Quer criar griffes. Vai brigar mais pelo mercado externo e tentará estruturar uma campanha para ampliar o consumo interno.
Mais: acaba de mapear os principais gargalos da cadeia que compreende: indústrias de insumos, produtores de grãos, matrizes, equipamentos, frigoríficos/abatedores, distribuidores, redes varejistas e atacadistas.
Essas ações foram discutidas e aprovadas ontem no 1º Workshop União da Cadeia Produtiva de Suínos direcionado para a Comercialização no Novo Milênio. A nata da suinocultura brasileira - através de seus sindicatos e associações - discutiu o setor durante dois dias.
O comentário de Jorge Eduardo de Souza, presidente da Pig Light, organizadora do Workshop (entrevista a esta coluna, ao final de evento) resume o setor:
''Estamos produzindo uma carne de qualidade, que não fica a dever para as carnes dos países mais desenvolvidos. Temos genética, granjas de alto padrão e tecnologia industrial. Esses setores são competentes mas estão agindo isoladamente. Está faltando um Felipão para unir esses craques da suinocultura''.
Mas não é só. Na realidade, o setor enfrenta problemas na distribuição da renda entre os elos da cadeia. Associações de produtores juram que o varejo fica com a parte do leão, diferente do que ocorre com o frango, em que os supermercados ganham na escola.
Outro problema: a cadeia - por assim dizer - tem que resolver rapidamente a angústia de granjeiros descapitalizados, aqueles que não contam com alta tecnologia. E, de imediato, tem que equacionar o impasse do milho: caro para a indústria de ração, mas pouco rentável para o produtor - se comparado com a remuneração da soja.
Para Jorge Eduardo, discussões como as de ontem levarão a uma melhr distribuição do lucro. O interesse em torno do debate autoriza a imaginar um setor organizado e, o que é importante, estável.
O Brasil tem 30 mil cabeças de suínos. Deve fechar o ano com aumento de 3% das exportações do ano passado.
Em 2001, o setor produziu 2,2 milhões de toneladas e exportou 265 mil t, com faturamento de US$ 358 milhões, 107% superior ao período anterior e um acréscimo no consumo para 11,4 kg/hab/ano.
O agronegócio de suínos como um todo - insumos, produção, processamento agroindustrial até o varejo -- movimenta US$ 6 bilhões/ano, ocupando cerca de 3 milhões de produtores de pequeno, médio e grande porte em todo o País.

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