Eleições nos Estados Unidos, feriado e eleições municipais no Brasil.
O escasso noticiário sobre economia, esta semana, não chegou a esconder as informações sobre a caracterização de dois fatos importantes para o agronegócio. O primeiro foi a confirmação do aumento da safra de soja nos Estados Unidos. O segundo, a visível queda dos preços da maioria das commodities agrícolas.
Por excesso de oferta ou recuo de demanda - nos dois casos sem razão aparente -, o fato é que o mercado chegou a dar sinais de saturação já no mês passado. Não o mercado, na sua configuração mais ampla, mas os preços em especial.
Nesse cenário estão grãos oleaginosos e produtos de origem animal. O recuo dos preços internacionais chegou à Bolsa e aí, então, o que seria mera especulação ganhou feição oficial.
Especulação ou não, o fato é que o Brasil não está ''vacinado'' contra o impacto desses caprichos do mercado. A forte presença do estado deixa as economias - do agronegócio ou qualquer outro setor - mais vulneráveis.
Tanto que técnicos e lideranças do setor já alertaram: problemas de logística deverão prejudicar o agronegócio. A queda dos preços agrícolas internacionais desde meados do ano, coincidindo com a alta do custo de produção, indica tempos difíceis para o agronegócio brasileiro em 2005 e 2006.
Analistas e entidades do setor prevêem baixa rentabilidade nos próximos dois anos. Alerta da Faep, semanas atrás, que analistas do setor disseram ter total fundamento aponta para um ambiente mercadológico adverso.
Um dos impactos da crise será o agravamento do gargalo logístico. Os investimentos em infra-estrutura de transportes e armazenagem não acompanharam o crescimento da produção e podem ser ainda mais reduzidos no período de vacas magras que se avizinha.
''O custo da ineficácia logística é absorvido quando os preços estão altos, mas pode se tornar um peso insuportável em períodos de crise'', avalia o analista Anderson Galvão Gomes, da consultoria Céleres. Isto foi dito e confirmado.
A ineficiência, segundo ele, pesa na venda e no escoamento das mercadorias porque corrói parte do preço que o produtor recebe na fazenda. E afeta o custo dos insumos, que precisam ser transportados até o local de plantio.

LEITURA DINÂMICA

- Um complicador a mais: influência das eleições nos EUA não pode ser ignorada.
- John Kerry na Casa Branca representaria uma exigência para os países emergentes no campo social e a variável ambiente ganharia um peso maior nas negociações.
- Atestados de ''ecologica e socialmente corretos''.
- O mercado consumidor norte-americano (e o de outros países também) pode exigir, de imediato, que os produtos ofertados sejam ecologica e socialmente corretos.
- É certo que o regime trabalhista de países comunistas como a China contam com uma mão-de-obra baratíssima e fazem concorrência quase predatória.
- Mas, dependendo das relações comerciais com os EUA, eles podem.
- Tais exigências não devem ser ignoradas pelos países exportadores como o Brasil. Neste momento até a OMC está levando isto em consideração.
- Kerry, e os democratas em geral, são mais protecionistas e defendem medidas mais duras na linha do protecionismo à economia norte-americana.

DROPS

Oferta norte-americana
Se alguém ainda tinha dúvida sobre a produção norte-americana, o Departamento de Agricultura (Usda) clareou de vez, ao confirmar os dados já conhecidos - em torno de uma produção de 84,5 milhões de toneladas. A Agência Rural mostrou na segunda-feira, com base nos dados do Usda: ''A grande produção de soja nos EUA está-se confirmando.

Colheita a salvo
Os principais Estados produtores da oleaginosa já somam mais de 90% da área colhida. Na média, a colheita atinge 85% da área plantada. A safra dos EUA está prevista em 84,3 milhões de t.

Pelo sim ou pelo não, é recorde
Há técnicos que afirmam: não é esta safra que é grande; a anterior é que caiu por conta de seca e depois excesso de chuvas. O fato é que o mercado terá mais soja no ano que vem e isto dificulta outros vendedores como o Brasil. Os Estados Unidos vão ter que buscar bons compradores para tanta soja, para não depender apenas da China.

Os preços
Esse volume recorde de safra confirma a tendência de baixa nos preços, segundo a Agência Rural, de Curitiba. Após recuar para US$ 5,10 por bushel depois da divulgação da safra recorde pelo Usda, os preços do contrato de maio se recuperaram um pouco e voltaram a US$ 5,50, mas já estão na faixa de US$ 5,30.

Cereais no mundo
O recorde de cereais no mundo já provocou forte queda dos preços na Bolsa de Chicago. Os contratos deste mês de soja e de milho mostram reduções de 35% e de 19%, respectivamente, em relação aos de novembro de 2003.

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