Oswado Petrin
-Os empresários mudam de estratégia, hoje, no pedido ao governo para que apresse as reformas constitucionais - durante a comemoração do terceiro aniversário do Real. Em vez de insistir na necessidade de mudar o estado perdulário, lerdo e pesado, e frisar os riscos do Plano Real sem as reformas, eles preferem mostrar as vantagens da reforma. Estão respaldados no estudo da Fipe ainda quentinho, divulgado pela primeira vez na semana passada. A Fipe/USP mostra os benefícios sociais das reformas.
-A mudança de estratégia é uma necessidade lógica. O presidente Fernando Henrique Cardoso parece se dar bem com o estado paternalista. Afinal, a forma como o Planalto se relaciona com o Legislativo na questão das reformas, deixa entrever que não é só o desinteresse dos deputados e senadores, beneficiários do guarda-chuvas estatal, que emperra as reformas. Há também uma indisfarçável falta de empenho pessoal do próprio presidente da República.
-O estudo da Fipe revela um novo Brasil com as reformas. Os empresários vão ter que vender as reformas através de um novo enfoque. Como nos programas de Qualidade Total de suas empresas terão de encantar o freguês e vender a idéia dos benefícios da reforma. E, sem sutileza, colocar a vertente política e seus dividendos eleitorais na reeleição como fruto da reforma. Precisa? Precisa porque o FHC pode capitular diante das resistências às reformas. Até porque ele próprio não tem pedigree político e ideológico que o coloque inteiramente pró-reforma.
-A solenidade na sede da Confederação Nacional da Indústria será marcada por dois momentos: um, pelo discurso do presidente da CNI, Fernando Bezerra, no qual dirá ao presidente da República sobre as preocupações dos setores produtivos com relação aos rumos do Plano Real. O outro será a entrega do documento Real - Conquistas, Desafios e Perspectivas, elaborado pela Ação Empresarial, coordenada pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter. A Ação Empresarial representa as cinco grandes confederações nacionais: da Indústria, do Comércio, da Agricultura, Transporte e instituições financeiras (AE).
-Os empresários, unidos, vão dizer ao presidente que as reformas devem ser feitas, segundo Bezerra. No documento, realizado com base em estudo feito pela Fipe e que foi encomendado pela Fiesp, o governo tomará conhecimento sobre os ganhos obtidos até agora com o Real, e sobre as ameaças que pairam sobre o futuro, se algumas correções não forem feitas com urgência. Para o presidente da CNI, as altas taxas de juros, provocadas pela própria pressão do setor público na busca de recursos, e a defasagem cambial, são alguns dos fatores que limitam os investimentos atualmente.
-O Plano Real não corre risco no curto prazo mas, se esses ajustes não forem feitos, não sabemos o que pode acontecer no futuro, disse ontem à imprensa o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da CNI.Ajuste cambial





