-Os produtores de laranja e a indústria de sucos não são os únicos a resolver seus problemas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Agora é a vez da Gessy recorrer ao órgão. A Gessy Lever entrou com uma petição no Cade questionando as semelhanças entre a embalagem e a propaganda da nova marca de creme dental Sorriso e a extinta Kolynos. A empresa, adversária da Kolynos do Brasil, alega que essas comparações foram proibidas no acordo assinado entre a Colgate-Palmolive e o Cade.
-Ontem, a Kolynos do Brasil divulgou as novas características da marca
Sorriso. Existem muitas semelhanças entre a antiga e a nova marca. A
fórmula é a mesma e o logotipo e a embalagem são parecidos. A conselheira Lúcia Helena Salgado e Silva, que relatou o processo de compra, disse que é prematuro fazer uma avaliação. Segundo ela, na assinatura do acordo, o Cade definiu uma série de critérios que não poderiam estar na nova marca. Esses pontos fazem parte de um anexo confidencial ao acordo.
-Lúcia Helena disse à repórter Shirley Emerick, da Agência Folha, que a nova marca não pode confundir o consumidor. ‘‘Ele não pode achar que está comprando a mesma marca’’, afirmou. A Kolynos do Brasil anunciou, por exemplo, que, em um dos filmes veiculados na TV, a atriz Regina Duarte vai lembrar que foi garota-propaganda da Kolynos e, em seguida, irá recomendar a Sorriso. Na época da discussão com o Cade, a empresa mencionou que não iria usar a mesma propaganda da Kolynos. Esse ponto, no entanto, não foi incluído no acordo.
-A conselheira disse que já consultou alguns especialistas e que as
opiniões são divergentes. Ela afirmou que a petição será discutida com os outros conselheiros na próxima semana. ‘‘Eu acho que é preciso aguardar um pouco mais para ver como o mercado reage.’
-O julgamento, explicou Lúcia Helena, teria que ser baseado em dados
concretos. A Gessy Lever confirmou que encaminhou a petição, mas o diretor de
Assuntos Corporativos da empresa, Ronald Rodrigues não foi encontrado pela reportagem. Em janeiro de 95, a Colgate-Palmolive comprou os negócios da Kolynos em 14 países e pagou R$ 1,04 bilhão.
-No Brasil, a operação foi submetida ao Cade, que avalia as compras de
empresas que resultem em domínio de mais de 20% do mercado. A Kolynos é
líder do mercado, com uma fatia de 52,2%. O conselho concluiu que a operação prejudicava a concorrência porque a empresa passou a dominar 78,8% do mercado de cremes dentais. O Cade impôs limites à negociação e sugeriu três alternativas: vender a Kolynos para terceiros, licenciar a marca por 20 anos ou suspender seu uso por quatro anos. A empresa decidiu vender os estoques e criar uma nova marca.Óleo de Palma

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