Oswado Petrin
-O governo vai estimular mais o milho na próxima safra. De uma forma ou de outra o produto terá seus incentivos. Ou pelo preço mínimo ou com aumento do teto (limite) de financiamento. Vai depender da prospecção do mercado. Se os técnicos projetarem bons preços no segundo semestre até fevereiro, os incentivos serão menores. Se os estoques da Conab atrapalharem o mercado, aí o incentivo será dado no justo calibre da estabilidade dos preços nos atuais patamares. Essas projeções terão que ser feitas em três semanas.
-Os técnicos salvam o milho, mas fazem outras burradas. Uma delas: desistir de elevar os limites para culturas empregadoras de mão-de-obra como cana, café e algodão. Outra pode ser a elevação do limite de custeio da soja para R$ 90 mil (atualmente é R$ 30). Seria bom, a soja é remédio contra o déficit comercial, desde que sobrasse recursos para outras culturas.
-Apesar de acenar com incentivo ao milho, na verdade, o estímulo que o governo pretende dar à produção nacional de soja, ampliando o limite de financiamento de custeio na próxima safra, poderá comprometer o abastecimento de milho no futuro, na avaliação de especialistas do setor. É que as duas culturas são concorrentes e os bons preços no mercado internacional já são um estímulo natural ao aumento da área de soja sobre a de milho. No Ministério da Agricultura, há estimativas de que a produção de soja na safra 1997/98 deverá aumentar de 26 milhões de toneladas para 28 ou 29 milhões de toneladas. De acordo com os especialistas, existe um índice técnico que demonstra ser indiferente para o produtor plantar milho ou soja quando a relação de preços atinge até 1,8 vezes. Mas hoje o preço de comercialização da soja é de três vezes o do milho, lembram os técnicos.
-O chefe do departamento técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, observa que a maior parte da produção de soja já está fora do crédito rural, com fontes alternativas de financiamento como a 63 rural, a CPR, soja verde e adiantamento de contrato de câmbio (ACC) e não vê muito sentido em ampliar os financiamentos oficiais. Ele avalia que o governo pode exagerar na dose se concretizar a proposta de aumentar o limite de custeio da soja e de reduzir o preço mínimo do milho para a região Centro-Oeste, principalmente.
-Mas há razões de sobra para concordar, desde que se olhe exclusivamente o lado das exportações. Segundo a Agência Estado, o especialista em economia agrícola, Fernando Homem de Mello, apóia a decisão do Ministério da Agricultura de aumentar o limite no crédito de custeio para o plantio da soja. O aumento de área de soja terá reflexo direto nas exportações brasileiras. O economista faz uma conta: se a produção crescer 3 milhões de toneladas, com uma previsão de US$ 250/t, o aumento de receita nas exportações seria de US$ 750 milhões. O efeito desta medida simples será muito grande.As mil mais





