Osvaldo Petrin
-Uma força para o setor sucroalcooleiro. O Banco do Brasil está colocando R$ 350 milhões de recursos externos à disposição de usinas, destilarias e distribuidoras de açúcar e álcool para financiar a estocagem dos produtos. Os recursos já estão à disposição das destilarias nas agências do Banco do Brasil, informou ontem fonte do governo. Às vezes, Brasília fala que o dinheiro está disponibilizado mas quando o interessado vai às agências do interior, o gerente nem está sabendo. Mas, neste caso, o dinheiro já existe e o repasse é imediato. As taxas terão variação cambial e um percentual a ser definido no ato de cada operação (?).
-Um protocolo de intenções assinado ontem entre diversas entidades do setor sucroalcooleiro e os ministérios da Fazenda, Minas e Energia, Indústria, Comércio e Turismo (MICT) e o Banco do Brasil restabelecerá o mecanismo conhecido como warrantagem, ou seja, uma linha de crédito para financiar a estocagem.
-Desde a extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), há cerca de dez anos, o setor não tinha uma linha de crédito para o financiamento dos estoques.
-No ano passado a Federação Nacional dos Plantadores de Cana (Feplana) pediu ao ministro Francisco Dornelles (MICT) a volta dos financiamentos. Em setembro, Dornelles encaminhou ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o aviso nº 244, sugerindo um mecanismo parecido com o financiamento da estocagem de grãos, utilizando-se linhas externas de curto prazo.
-Dornelles explicou que uma das maiores dificuldades do setor sucroalcooleiro decorre da sazonalidade da agroindústria canavieira. A produção ocorre em sete meses e a comercialização, em 12 meses, o que obriga à venda de açúcar e de álcool a preços inferiores aos de mercado, porque não há como estocar os produtos.
-O diretor do Departamento de Açúcar e do Álcool do MICT, Pedro Cabral, disse à repórter Mariângela Heredia, da Agência Estado que o restabelecimento da linha de crédito para financiar os estoques dará um novo fôlego ao setor sucroalcooleiro, além de melhorar a situação dos fornecedores de cana. Técnicos do BB informaram que os recursos estarão disponíveis nas agências a partir de hoje. As taxas de juros serão cobradas com base na variação cambial mais um percentual a ser definido em cada operação específica.
-O Ministério da Indústria e do Comércio reconhece que os recursos não são suficientes mas não descarta a possibilidade de complementos. Também nega que a liberação de recursos visa beneficiar o setor, de forma localizada, como São Paulo e Nordeste. A distribuição é equitativa e o governo espera beneficiar indiretamente a lavoura.Sima





