Curitiba - Os empresários sabem qual é o valor real da taxa cambial e estão suspendendo os negócios nesta semana. A informação é de Rene Berardi, professor da Facinter International Business School, de Curitiba. Segundo ele, as variações da taxa cambial têm sido muito bruscas de um dia para o outro. Ele acredita que essa situação vai continuar por toda a semana que vem, que antecede as eleições, até a volta da estabilidade cambial.
Berardi considera que a paralisação dos negócios afeta principalmente as importações. ''Ninguém vai ser louco de autorizar operações de câmbio com a taxa atual'', avalia. Os setores mais prejudicados são aqueles que já estão com contratos em andamento, e as operações têm que ser honradas, lembrou. Segundo Berardi, os empresários sabem que o movimento é especulativo e estão adiando as operações.
Berardi participou ontem do 48º Encontro de Comércio Exterior (Encomex), patrocinado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O ministério está fazendo um trabalho de conscientização do pequeno e médio empresários para participar do esforço exportador.
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) detectou que dos quatro milhões de estabelecimentos comerciais no Brasil, apenas 17 mil exportam. E entre os que exportam, mais de 50% do volume de exportação do País está concentrado em 100 empresas, informou Lilia Miranda, diretora do Departamento de Planejamento da Secex. Segundo ela, a secretaria pretende incentivar a exportação por parte da pequena e média empresas, que têm potencial exportador.
Para Lilia, o Brasil vem mantendo um bom desempenho na conjuntura do mercado internacional, apesar do desaquecimento da demanda externa e das barreiras protecionistas, as exportações brasileiras caíram ''somente 1%'', no período janeiro/agosto, se comparado com igual período do ano passado. A técnica lembrou que as condições indicavam para uma queda mais acentuada nas exportações, porque as vendas para a Argentina caíram 60% este ano. Mesmo assim, a balança comercial brasileira deve fechar este ano com um superávit de US$ 8,5 milhões. As exportações devem fechar o ano com um total de US$ 57,5 bilhões, frente aos US$ 49 bilhões das importações, revelou Lilia.
A técnica chama a atenção para a diversificação dos mercados que estão alavancando as exportações, juntamente com a taxa de câmbio favorável. Lilia mostrou que nos primeiros oito meses do ano, as exportações para a India, cresceram 82%, para os países do Caribe, 41%, para o México, 25%, para a Coréia, 26%, para a Malásia, 105%, para a Rússia, 17%, e, para a África, 14%.

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