A demissão em massa proposta pela montadora de veículos Volkswagem, em São Paulo, está reforçando uma tendência que vem ocorrendo nos últimos anos: quanto mais tecnologia, menos mão-de-obra é necessário para produzir. Com o mercado cada vez mais competitivo, as empresas buscam eficiência máxima e custo mínimo. Isso já aconteceu com inúmeras grandes empresas.
''No Brasil isso foi sentido mais acentuadamente nos bancos. Hoje os grandes bancos brasileiros têm um quadro de funcionários reduzidíssimo em comparação ao que tinham há 20 anos. As pessoas fazem transferências de dinheiro pela internet, usam caixas eletrônicos, recebem talões de cheque em casa. Tudo isso só foi possível porque os bancos investiram pesado em tecnologia. O reflexo disso é que os funcionários demitidos, e foram milhares em todo o país, tiveram que se adaptar à nova situação'', disse José Joaquim Ribeiro, presidente Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR).
Na opinião de Ribeiro, principalmente para quem trabalhava em grandes empresas e foi demitido, será necessária uma mudança de postura para conseguir uma nova colocação no mercado de trabalho. Ele comenta que a realidade das grandes empresas e das pequenas é muito diferente. Nas grandes o funcionário tem uma série de benefícios como plano de saúde e participação nos lucros da empresa. Já nas micros e pequenas empresas isso dificilmente acontece.
''Hoje o maior empregador no Brasil são as pequenas e micro-empresas. É por isso que quando um trabalhador deixa uma grande empresa tem tanta dificuldade de adaptação. Ao ser demitido ele sempre espera poder encontrar um novo emprego que seja parecido ou até melhor que o anterior. Só que isto está cada vez mais difícil. E quanto mais tempo ele fica fora do mercado de trabalho, mais dificuldades ele terá para encontrar uma nova colocação'', argumenta Ribeiro.
O problema, diz ele, é que num primeiro momento o demitido não aceita qualquer oferta de emprego. Ele prefere sempre aguardar uma oportunidade melhor. A realidade é que essa oportunidade melhor é rara e aparece para pouquíssimas pessoas. ''Dias atrás vi uma matéria em que o entrevistado dizia que havia perdido o emprego há dez anos e nunca mais encontrara outro. É difícil de acreditar. É bem possível que as oportunidades que apareceram no princípio não o tenham agradado, porém com o tempo, estando fora do mercado, as oportunidades ficam cada vez mais difíceis de aparecerem''.
Com a economia crescendo a um índice tão baixo, em 2005 foi de 3,5%, não há perspectivas de melhora no curto prazo. Conforme dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), em algumas regiões metropolitanas do Brasil o desemprego já atinge cerca de 15% da população economicamente ativa.
Portanto, aconselha Ribeiro, mesmo que a nova vaga ofertada não seja muito boa é importante retornar ao mercado de trabalho. Estando inserido novamente no mercado, é mais fácil aparecer novas oportunidades.
O presidente do Sescap-LDR comenta ainda que os demitidos de grandes empresas não gostam de procurar empregos em pequenas empresas. Segundo ele, isso é um erro, pois é uma oportunidade de crescer junto com a empresa.

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