''Vivemos conforme a Bíblia.''
''Trabalho hoje para comer amanhã.''
''O futuro a Deus pertence.''
á ''Estou preocupado com o hoje.''
á ''A gente se aposenta e morre.''


Essas foram algumas das justificativas apresentadas por pessoas que trabalham por conta própria e não recolhem a contribuição previdenciária. O lambe-lambe Messias Bezerra, 59 anos, exerce a atividade há 31 anos, no centro de Londrina, e conta que nunca se preocupou em fazer a contribuição previdenciária. ''Não sou apegado nisso. Meu problema é só com o trabalho'', afirma o pai de quatro filhos, que mora em Jataizinho (21 km a leste de Londrina).
Bezerra revela que o trabalho diário na Praça Marechal Floriano Peixoto, ao lado da Catedral, não assegura uma renda mensal fixa. ''Tem mês que a gente tira R$ 300,00, R$ 280, mas nunca mais que R$ 400'', diz. Sobre o futuro, ele diz não ter esperança: ''Eu sei que vai piorar. Melhoria não se pode esperar.''
A poucos metros do local, numa banca de revistas, o pintor desempregado Jacques Carlos Moreno, 33 anos, morador na Vila Nova (área central) comenta que gostaria muito de ter um emprego registrado na carteira de trabalho. ''Faz dois anos que estou vivendo de bico. Londrina oferece só emprego temporário. Fixo é difícil'', conta.
O técnico em eletrônica Ailton Pereira Mariano, que mantém uma firma de conserto de equipamentos fotográficos no Centro Comercial prefere encarar a situação com bom humor. ''O amanhã a Deus pertence. Não penso no que poderá acontecer. Não vou me aposentar porque quem se aposenta morre'', brinca. A esposa dele Lucila, que trabalha na firma, completa: ''Estamos seguindo a Bíblia''. Ela conta que desde novembro, quando houve uma queda no movimento decidiram deixar de recolher a contribuição previdenciária. ''Tivemos que reduzir os gastos'', justifica.
''Não recolho o INSS porque acho um absurdo a pessoa passar a vida inteira pagando, como fez o meu pai, e hoje com 76 anos não consegue se aposentar'', critica a cabeleireira Marina Aparecida Romanhole, 44 anos. Ela mantém as quatro filhas com o trabalho que aprendeu há 27 anos e diz que teria condições de contribuir com a Previdência Social. ''Mas não vou recolher porque a maior parte dos autônomos não consegue se aposentar'', afirma.
Há 30 dias, a cabeleireira fez uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ela afirma que o governo tem obrigação de oferecer atendimento à população que já paga muitos impostos. ''A gente já contribui demais.''
Já a vendedora de produtos de beleza Clarice David, 48 anos, que mantém uma representação na Rua Souza Naves, conta que desde que iniciou essa atividade, há 10 anos, vem recolhendo o INSS como autônoma. ''E também pago uma previdência privada porque me preocupo com o amanhã, em ter uma aposentadoria'', diz. L.M.

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