O Brasil, através de suas autoridades, deverá ter a coragem de impor limites, estabelecer novas alíquotas e até novas regras para recompor sua capacidade de gerar empregos e reestimular setores que estão desaparecendo frente a concorrência que estamos assistindo.
O processo de globalização que países de todo mundo estão experimentando fincou raízes profundas também em nosso país. No Brasil, as mudanças se deram alicerçadas principalmente no política adotada pelos governantes, que reduziram drasticamente ao alíquotas de importação de patamares médios acima de 35% há quatro anos atrás, para algo em torno de 14% atualmente.
Abrimos as portas (escancaramos, segundo alguns) para a entrada desde alimentos até todo o tipo de bugiganga de qualidade duvidosa, mas com preços muitas vezes convidativos. A velocidade de nossa abertura para a entrada de produtos estrangeiros não teve a contrapartida dos nossos parceiros importadores. Eles mantiveram restrições a entrada de produtos brasileiros utilizando-se dos mais diversos argumentos, inclusive em relação a questão sanitária. Os reflexos desta política (suicida, segundo outros) foram enormes e geraram perdas para empresas, trabalhadores e ao próprio país.
A desestruturação de segmentos importantes, especialmente no setor rural, como é o caso do trigo, algodão e leite, são mostras claras e evidentes da desarticulação de políticas que permitissem um acompanhamento mínimo e evitassem as distorções entre abrir as portas para o importado e as nossas exportações.
A política adotada favorece amplamente muitos de nossos concorrentes, evitando o desemprego naqueles países, e gerando superavit em suas balanças comerciais. Ao contrário, aumenta o desemprego em nosso país e amplia o déficit em nossa balança. Não bastasse isto, o Real sobrevalorizado em relação ao dolar, nos coloca numa situação delicada em relação as trocas comerciais.
Será que precisamos nos apresentar perante a comunidade internacional como parceiros passivos, reduzindo como nenhum país o fez, as aliquotas de importação colocando em cheque nossa própria estabilidade sócio-econômica?
O Brasil, através de suas autoridades governamentais precisara ter a coragem de enfrentar esta situação, impondo limites, estabelecendo novas alíquotas e até novas regras se necessário for, para recompor sua capacidade de gerar empregos e reestimular setores que estão desaparecendo frente a concorrência desleal que estamos assistindo.
Países como os Estado Unidos, muitos dos europeus e até mesmo asiáticos e latino-americanos, tem colocado restrições enormes a entrada de nossos produtos em seus países. Reverter esta situação exige coragem e determinação, além da análise profunda e ação rápida, para que se possa novamente alicerçar uma nova ordem econômica a setores que certamente a desaparecerão se não houver uma ação governamental. Em muitos setores somos extremamente competentes, mas não podemos concorrer com a ação predatória de países que mantém uma política de preços internos compatíveis com seus custos, contra fortes subsídios que oferecem para colocar seus produtos (abaixo do custo) em outros países.
Os reflexos negativos crescem dia-a-dia, a semelhança dos índices de desemprego que assolam o país. É preciso reverter esta triste realidade. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos, em breve, o país com maior indice de desemprego e maior volume de problemas sociais dos últimos anos.
- JOÃO PAULO KOSLOVSKI é engenheiro agrônomo e presidente da Ocepar - Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná.

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