Os pesadelos vão aumentar
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de outubro de 2001
Pedro Branco 
O crescimento das exportações de produtos agropecuários, principalmente do setor de carnes e derivados, tem provocado insatisfação nos produtores rurais europeus. Irritados com o potencial da atividade agropecuária brasileira, os criadores da Europa pensam em realizar manifestações de repúdio ao produto agropecuário brasileiro, caso venham a perder ainda mais espaço no mercado internacional.
Para completar este quadro alarmante, os produtores rurais europeus sentem-se frustrados pelo desinteresse das futuras gerações e, consequentemente, da impossibilidade de transferir seus conhecimentos.
Além de se sentirem ameaçados com o aumento do desempenho do setor agropecuário brasileiro, ocorrido nos últimos anos, os agricultores europeus descobriram algo inusitado para a sua realidade: o produtor rural brasileiro consegue aumentar a produtividade da safra, ano a ano, sem nenhum subsídio e, além do mais, sendo altamente penalizados por altas taxas de juros aplicadas em contratos de liberação de recursos financeiros e pela excessiva carga tributária cobrada na aquisição dos bens de produção.
E se não bastasse essa ''chuva'' de impostos, somos ainda pressionados por Organizações Não Governamentais (ONGS) e por entidades rurais internacionais para que não ampliemos a nossa área de cultivo. Dessa maneira, tentam criar novas restrições ao nosso produto.
Diferentemente da nossa situação, verificamos que nos países da Europa e nos Estados Unidos, os produtores rurais recebem do governo fartos subsídios. Na Europa, os agricultores que produzem grãos recebem uma ajuda que varia de 320 a 350 dólares por hectare. Os pecuaristas não ficam atrás e também ganham vultuosos incentivos: 160 dólares/ano por vaca e mais um prêmio de 130 dólares/ano por bezerro engordado. Quem adquire tratores, colheitadeiras e outros implementos agrícolas são altamente subsidiados e os incentivos atingem até 50% do valor total do maquinário.
No Brasil, pelo contrário, o mesmo implemento agrícola custa até três vezes mais, ou seja, além do custo final de produção apurado, nele também inside impostos de até 65% ao seu preço final de mercado.
Apesar disso tudo, constatamos que sem receber subsídios e demonstrando toda a competência que possuímos já estamos perturbando o sono dos produtores rurais europeus e norte-americanos. Imaginem se resolvermos seguir o exemplo dos agricultores internacionais e, passarmos a manifestar nas ruas a nossa insatisfação com a atual política agrícola adotada pelo governo. Tenho certeza de que os pesadelos dos produtores rurais europeus e norte-americanos vão aumentar ainda mais e, em breve, se tornarão realidade.
- PEDRO ARMANDO BRANCO é produtor rural e diretor de atividades agrícolas da Sociedade Rural do Paraná


