Os jovens surpreendem sempre. Diante de um mundo tão mais complexo e exigente parecia que os nossos garotos iriam capitular frente aos desafios da globalização. Pois é. Foi com surpresa e satisfação que constatamos um enorme avanço no grau de conhecimento e informação da moçada. Parece que eles não vão quebrar a cara para responder às demandas do novo século.
Acabamos de concluir na Trevisam nosso processo de recrutamento de trianees, prática que adotamos desde a fundação, na 14 anos. Foram recrutados 59 formandos que iniciam suas carreiras em cada um dos nossos nove escritórios espalhados pelo Brasil. Recebemos 5142 candidatos vindos das melhores faculdades de administração, contábeis e economia. Foi naturalmente uma disputa árdua para eles e, para nós, muito difícil escolher. A qualidade foi muito superior a dos anos anteriores. Melhorou significativamente a capacidade de articular idéias, correlacionar fatos e concluir com objetividade. A nota de corte, que no ano passado era cinco, neste ano subimos para seis. o objetivo foi reduzir o número dos que passariam para a segunda fase. Que surpresa! Apesar de elevarmos em 20 % a nota da fase eliminatória, simplesmente dobrou o contingente aprovado para a fase seguinte. Foram 920, dos quais 260 participam da fase final de entrevistas individuais. Se pudéssemos ficaríamos com todos eles. Eram ótimos. De fato, subiu o nível de conhecimento dos candidatos, ato já certificado nos últimos três anos, Aliás este mesmo fenômeno pude medir em contato com o Prof. Alan Florent Stempler, diretor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Portanto, os nossos jovens não vão capitular frente ao novo mundo.
Mas o que terá acontecido? Que passe de mágica produziu tal efeito? Seria o povão Teriam nossas escolas melhorado o nível tão rapidamente? Não. A conclusão que tiramos aqui na Trevisan é de que os jovens alunos, independentemente das suas escolas, correram por fora. Acessaram os computadores, despertados pelo fascínio da curiosidade (esta sim a verdadeira mágica do aprendizado) e viajaram pela Internet. Graças à maravilha da tecnologia e da abertura de mercado estudaram como nunca. (Bendito sejam os computadores, essas terríveis maquininhas que abrem uma janela para o mundo e democratizam a informação).
Talvez, por isso, o jornalista Gilberto Dimenstein insiste na idéia de que, se pais, mestres, governos e empresários possibilitarem que cada jovem tenha acesso a um computador, estarão dando a eles maiores condições de se tornarem cidadãos do mundo.
ANTONINHO MARMO TREVISAN é presidente da Trevisan auditores e consultores

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