Os efeitos da crise no bolso e empresas
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Rosangela Dolis<br>Agência Estado 
São Paulo - A crise no mercado financeiro atinge em cheio os investidores, especialmente quem se animou nos últimos meses com o bom desempenho da bolsa e desviou parcela expressiva do seu capital para ações - desde o início da crise, em 26 de julho, a bolsa caiu 14,26%. Já a alta do dólar agrada a exportadores, porque torna seus produtos mais competitivos, e desagrada a importadores, porque encarece os importados. Pequenos empresários, por enquanto, são espectadores da crise. Eles têm pouca relação com o exterior, explica Dalmo Dallari, diretor de Administração e Finanças do Sebrae.
Para o investidor, a continuidade da queda da bolsa e da alta do dólar e uma oscilação mais forte dos juros são fatores de risco. Esse cenário e onde o dinheiro está aplicado devem ser observados pelo investidor antes de qualquer movimentação de recursos neste momento, diz o administrador de investimentos Fábio Colombo
Se o investidor estiver com no máximo 20% do capital em bolsa e o restante em fundos DI, de renda fixa ou caderneta de poupança, Colombo recomenda que ele não se movimente. Se o capital em bolsa superar 20%, é recomendável diminuir a exposição, e aos poucos, ele diz, mesmo com perdas, e fazer a diversificação em fundos DI com taxa de administração máxima de 1,5% ou caderneta de poupança. Para o dinheiro novo, o destino deve ser o fundo DI, enquanto se aguarda um cenário mais claro.
Importador - O câmbio mais caro (a alta desde o início da crise é de 12,05%) é desfavorável para o setor, porque encarece o produto importado e reduz sua competitividade em relação ao local. Empresas que acreditam que a alta do dólar é momentânea podem analisar a opção de adiar o fechamento de contratos. Diante da oscilação do dólar, o professor Antônio Corrêa de Lacerda, da PUC de São Paulo, recomenda a empresas que importam e exportam que façam hedge (proteção) natural, ou seja, mantenham equilíbrio entre importações e exportações, para que perdas em uma área sejam compensadas com ganhos na outra.
Já o setor exportador se beneficia com a alta do câmbio, porque recebe mais reais pelos dólares que traz do exterior. Porém, para empresas quem exportam commodities, o risco é os preços internacionais baixarem, como já está ocorrendo, aliás, diz Lacerda.


