OS CONFLITOS NO BLOCO
A 18ª Reunião de Cúpula dos Presidentes do Mercosul terá início hoje, com vários conflitos comerciais à espera de solução, além de acusações de suposto dumping (comércio desleal) entre os principais sócios (Brasil e Argentina):
Setor Automobilístico: um dos mais polêmicos. Na última terça-feira, Brasil e Argentina fecharam um acordo sobre Política Automotiva Comum (PAC), ao qual se somou o Paraguai. O Uruguai expõe discrepâncias em relação à tarifa externa para autopeças, fixadas de 12% a 18% para Argentina e Brasil, e 2% para o Uruguai, sendo que o Paraguai deveria suspender a importação de veículos usados. Em troca, parece haver um entendimento global sobre a tarifa externa comum de 35% para veículos terminados, ainda que no caso de Uruguai e Paraguai será de 23%. Se o Uruguai aceitar o acordo a resposta era esperada para ontem ele entraria em vigor entre julho e agosto, até 2005.
Açúcar: é o ponto mais polêmico. O Brasil pediu o fim das barreiras às importações de açúcar, com o objetivo de eliminar a tarifa de 13% no comércio de produto a partir de janeiro de 2001, pois utiliza a cana como insumo na produção de álcool combustível. A Argentina se negou a discutir o tema esta semana e descartou o fim das barreiras a partir de 2001. A Argentina acusa o Brasil, principal produtor e exportador de açúcar do mundo, de subsidiar sua produção e diz que dará prioridade às províncias do Noroeste argentino, para as quais o produto é essencial para a subsistência.
Calçados: Estão interrompidas as negociações entre os grupos privados, para renovar um acordo que vence este fim de semana. Enquanto os empresários argentinos pretendem prorrogar o sistema de cotas, que limita a entrada de calçados importados do país vizinho (4,4 milhões de pares por semestre), os brasileiros querem o fim das restrições aos seus produtos na Argentina.
Arroz: O Brasil pretende restringir a compra de seus sócios no Mercosul, porque alega poder atender à demanda interna com a sua própria produção. Em 1999, a Argentina lucrou 75 milhões de dólares com a venda de arroz para o Brasil.
Tarifa Externa Comum: O Brasil pretende reduzir a TEC de bens de capital, de 14%, em média. A questão tem que ser solucionada para que o Chile que tem uma tarifa de 9% seja incorporado ao bloco regional.
Tribunais: A Argentina quer um fórum permanente de resolução de conflitos, com juízes estáveis. O Brasil se opõe.





