A constante queda do poder aquisitivo dos trabalhadores tem levado muitas famílias a gastar mais do que os seus rendimentos. A cada mês as contas com o supermercado, planos de saúde, educação dos filhos e as tarifas dos serviços básicos parecem maiores, enquanto os salários nem sempre acompanham os gastos. Essa ''crise'' enfrentada pelos trabalhadores tem levado muitas pessoas ao endividamento e, depois que as contas viraram uma bola de neve, muitas têm dificuldade em quitar todos os débitos.
Para evitar endividamentos excessivos, os trabalhadores têm poucas saídas. Uma delas é o planejamento financeiro. O assunto foi abordado ontem durante a 10 Semana Interna de Prevenção a Acidentes no Trabalho (Sipat) da Folha de Londrina na palestra ''Como administrar seu dinheiro'', ministrada pelo consultor Charles Vezzozo, mestre em Administração e Finanças Pessoais. Ele, inclusive, deu dez dicas que podem ser seguidas para elaborar o planejamento financeiro.
O primeiro passo sugerido é o auto-conhecimento. Segundo ele, os gastos refletem a nossa personalidade. A próxima dica é saber o quanto o companheiro ganha, já que muitas pessoas desconhecem o valor; em seguida, deve ser elaborada uma planilha para fazer o diagnóstico das finanças. O casal também deve elencar as prioridades. Como sugestão, Vezzozo sugere que gastos com seguro de saúde, alimentação, escola e aluguel devem estar sempre no topo da lista. Em segundo plano estariam as despesas não supérfluas, mas que podem deixar de ser executadas em um mês ou outro, como uma poupança por exemplo. Em terceiro estariam as atividades sociais e gastos com restaurantes.
É importante que esse planejamento seja reavalidado mês a mês. Índices de inflação e os reajustes de preços têm que ser monitorados constantemente. ''As tarifas públicas têm aumento muito superior aos salários médios'', justifica o consultor. A resistência ao consumismo e aos padrões da sociedade também têm que ser um objetivo de toda a família. ''A sociedade sofre do mal da compulsão e não é só por drogas ou álcool. As compras também são objeto de compulsão'', observa. Ele também sugere o sacrifício de hobbies que estão muito além do orçamento familiar.
Pagamento de juros do cheque especial e do cartão de crédito também devem ser banidos. O ideal é que a pessoa ''ande com as próprias pernas''. O último item é a reeducação familiar. ''Um planejamento financeiro deve mexer com as atitudes pessoais e de toda a família. Tem que haver uma conscientização'', salienta Vezzozo. Ele acrescenta que o planejamento exige disciplina. ''A falta de planejamento financeiro é uma questão cultural. Os brasileiros têm uma propulsão ao consumo, em detrimento do poupar'', afirma.

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