Curitiba - A partir dos 5 anos de idade os pais já conseguem dar orientações para os filhos sobre questões ligadas a dinheiro. ‘’Isso vai muito da sensibilidade dos pais’’, disse o educador financeiro José Vignoli. Segundo ele, a partir dos 5 anos, a criança já pode receber uma ‘’semanada’’ de valores baixos como R$ 2, por exemplo, e guardar R$ 0,20 deste total no cofrinho. ‘’Claro que os pais não vão dar um valor muito alto. A criança precisa entender que o dinheiro não nasce em árvore’’, disse. Segundo ele, o objetivo de guardar uma pequena parte da semanada, nem que sejam centavos, representa o futuro. E, mesmo ao atingir o objetivo com o dinheiro guardado, os pais devem incentivar a criança a não gastar tudo que está no cofrinho.
De acordo com ele, a partir de 10 anos, já é possível começar a falar em mesada. Mas, no caso de a mesada acabar, não adianta alguém da família ‘’cobrir o furo’’. ‘’A criança tem que entender que o dinheiro tem começo e fim’’, alertou. Vignoli disse que a atitude dos pais na loja, no supermercado e até nas férias vai influenciar a criança’’, disse.
Ele recomenda que o imediatismo tem que ser controlado com os filhos. O diálogo sobre dinheiro tem que ser uma coisa do cotidiano. ‘’Por que passeio é sinônimo de shopping?’’, disse. Vignoli observa que passeio pode ser parque, andar de bicicleta, jogar futebol, ir ao cinema, à biblioteca, ao museu, ou seja, algo que não seja só consumo.
‘’Ninguém quer que as pessoas parem de consumir, mas que consumam com consciência’’, disse. Ele destacou que o crédito não é ruim para comprar uma casa, por exemplo. Mas, ‘’se a pessoa usa o cheque especial para comprar celular, é péssimo’’. O cheque especial é para uma emergência, segundo ele.

Crianças menores
Mesmo com as crianças menores de cinco anos, há formas de começar a falar sobre dinheiro de maneiras alternativas. A psicanalista e consultora em educação financeira, Márcia Tolotti, disse que para uma criança de três anos, por exemplo, é possível mostrar que existem escolhas. Em uma situação que a criança deseja, por exemplo, um sorvete e um chocolate, os pais devem pedir para escolher um dos dois. ‘’Os pais devem mostrar para o filho que tudo depende de uma escolha e ajudar a criança a fazer a opção partindo daquilo de que mais gosta ou do que vai ficar mais contente’’, explicou.
Os pais devem ainda ensinar que o dinheiro é um recurso escasso. E que ainda a criança precisa pensar antes de fazer uma escolha para aguentar a frustração de não ter uma das duas coisas que optou. Ela também recomenda que, para as crianças pequenas entre 6 e 10 anos, é possível dar uma ‘’semanada’’ até porque a dimensão de tempo para elas é diferente das crianças maiores. Márcia disse que também é fundamental não mudar as regras estabelecidas com os filhos no "meio do jogo’’. (A.B.)

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