Preparar-se para abrir um negócio não significa apenas realizar cursos de gestão. Foi o que o ex-dekassegui Nilo Katsuo Kato compreendeu ao retornar ao Brasil após 15 anos de trabalho em fábricas no Japão. ''A gente volta achando que R$ 10 não vale nada, e muitas vezes, por ingenuidade, acaba comprando o primeiro negócio aparentemente rentável que encontra pela frente'', alega.
Para se habituar à nova realidade brasileira, Kato passou oito meses trabalhando como borracheiro. ''Procurei orientação do Sebrae em Londrina, mas também conversei com o pasteleiro da feira, o reciclador de lixo, com grandes e pequenos empresários, para poder planejar melhor meu empreendimento'', relata o empresário, que hoje é proprietário da confeitaria Hachimitsu.
Aprender observando é uma prática que o empresário já exercitava desde quando estava no Japão. Kato conta que reparava na organização das mercadorias nas lojas, no tipo de atendimento oferecido, na produção sem estoques das fábricas. ''Cheguei a implementar o mesmo padrão de atendimento que era oferecido lá, que é bem atencioso e impessoal, mas os clientes acharam um pouco frio'', exemplifica. A saída foi adaptar: hoje, o empresário exige que seus funcionários dispensem atenção total, mas que também conversem com o cliente de maneira cordial. Além disso, utiliza um esquema de linha de produção e não deixa produtos prontos em estoque, para manter a qualidade e reduzir os custos, já que se trata de alimentos perecíveis.
O ex-dekassegui ainda visitou as outras empresas do gênero existentes na cidade. ''Assim, percebi que não adiantava tentar concorrer com empresas que já tinham seu nome no mercado oferecendo o mesmo produto. Precisava ter um diferencial.'' Outro fator importante que Kato considera ter influído no sucesso de seu empreendimento foi o fato de atuar em uma área pela qual ele e a esposa tinham interesse, conhecimento e até uma certa experiência. ''Ela fez dois anos de curso de confeitaria no Japão. Antes de voltar, nós passamos cinco anos fazendo bolos e vendendo para brasileiros por lá. E trouxemos essa idéia de fazer doces aqui'', relembra.
Para Kato, todas essas ''pesquisas'' são importantes, e devem servir de complemento ao conhecimento teórico, de gestão e do mercado. ''Os dekasseguis são mais reservados, e muitos não entendem o que é o Sebrae'', alega, tentando explicar por que os nipo-brasileiros, tidos como estudiosos no Brasil, relutam em procurar o programa Dekassegui Empreendedor. ''Além disso, depois de passar tanto tempo no Japão, o dekassegui muitas vezes volta achando que pode tudo com o dinheiro que acumulou, e que a missão está cumprida, agora é só comprar um negócio e colher os frutos. Mas é preciso começar do zero'', explica, acrescentando que, hoje, trabalha bem mais do que quando estava no Japão.
Kato reconhece que o caminho pelo qual optou não foi fácil, e confessa que a empresa passou os seis primeiros meses trabalhando no vermelho. Mas credita o seu sucesso ao preparo teórico e prático, aliado à dedicação e persistência. ''Vi vários casos de gente que perdeu muito dinheiro em pouco espaço de tempo. O pior é que eles retornam ao Japão com a auto-estima lá embaixo. Para dar certo, tem que estudar, pesquisar, planejar e principalmente fazer bem-feito. O retorno financeiro vai ser uma consequência de tudo isso'', ensina. (A.I.)

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