Órgãos estaduais de pesquisa vão brigar por mais recursos
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quarta-feira, 05 de junho de 2002
Oswaldo Petrin<br>Reportagem local 
Londrina - Presidentes de instituições de pesquisas de 16 Estados brasileiros que integram o Conselho Nacional das Entidades Estatuais de Pesquisa Agropecuária (Consepa), iniciaram ontem, em Londrina, a redação de um documento em que defendem maior aporte de recursos para a pesquisa estadual. Há uma preocupação de que a Embrapa venha a abocanhar todos os recursos disponabilizados por fundos de apoio à ciência e tecnologia, a exemplo do que já ocorre com os recursos do governo federal.
O sistema de pesquisa agropecuária, que tinha a Embrapa como grande coordenadora, acabou direcionando todos os recursos para a própria Embrapa, deixando órfãos os institutos estaduais - afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Dionísio Bressan Lemos.
A Embrapa, segundo Lemos, pela sua estrutura nacional e por fazer um marketing muito forte, consegue ter mais visibilidade do que as organizações estaduais. No entanto, na prática, os resultados para a agricultura não acontecem na mesma proporção. A Embrapa está voltada para pesquisa em produtos comerciais - de importância nacional - e não atua tão bem quando se trata de projetos de desvenvolvimento locais, explicou.
Lemos utiliza o exemplo do próprio Paraná: Se compararmos o que a Embrapa e o Iapar fazem pela agricultura vamos chegar à conclusão de que há muito mais beneficiários do Iapar do que da Embrapa. O mesmo ocorre em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, segundo ele. Porém, os recursos federais vão quase que exclusivamente para a Embrapa. É necessário que os recursos sejam melhor distribuídos, sob pena de os Estados terem que, eternamente, arcar com esse orçamento - afirma.
Lemos ressalta que os Estados têm que destinar recursos para a pesquisa; não podem ser excluídos desse compromisso. Mas é preciso que os recursos federais ajudem mais os estados. E sejam distribuídos de forma mais justa.
Documento - O documento que deve ser assinado hoje trata a questão de maneira mais macro e se preocupa, basicamente, em caracterizar a essencialidade das pesquisas estaduais, segundo o presidente do Conselho, Florindo Dalberto, também presidente do Iapar.
Conforme Dalberto, a pesquisa estadual está mais perto das realidades locais e suas instituições promovem o desenvolvimento dos municípios, têm uma missão estratégica em cada Estado e cada região e agem com mais capilaridade - segundo Florindo Dalberto.


