Ribeirão Preto - O Brasil é o primeiro país na rota do levantamento agrícola feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nos países emergentes e desenvolvimento. O grupo de nações conta ainda, entre outros, com África do Sul, Índia, China e Rússia, que terão suas produções agrícolas reavaliadas por meio de missões da OCDE, entidade que reúne os países mais industrializados do mundo. Até o final do ano, técnicos visitarão os países e conhecerão os sistemas e os cálculos de produção por meio de reuniões, além de fazerem viagens por pólos agrícolas e pecuários locais.
Segundo o diretor da Divisão de Mercado, Agricultura e Comércio da OCDE, Loek Boonekamp, em meados de 2005, na sede da entidade, em Paris (França), os dados serão apresentados em uma reunião a ministros dos países-membros. ''O intuito é mostrar o potencial de cada país, ajudar no progresso e nas negociações internacionais'', disse Boonekamp. Ele integra a delegação que visita o Brasil nesta semana e que está hoje na região de Ribeirão Preto (SP).
Na sexta-feira, o grupo segue para Rondonópolis (MT), principal pólo produtor de grãos do País. De acordo com o diretor da OCDE, além da avaliação do potencial agrícola dos países em desenvolvimento, os técnicos irão mensurar, entre a população pobre rural e urbana dessas nações, o impacto de mudanças econômicas e comerciais pelas quais elas passam.
O diretor da Divisão de Mercado, Agricultura e Comércio da OCDE disse estar impressionado com o potencial agrícola brasileiro e afirmou, durante visita a região de Ribeirão Preto, que o País merece um estudo melhor como o que a entidade iniciou nesta semana. ''O que vimos até agora impressiona. Mostra a capacidade que o Brasil tem de cada vez mais ocupar mercados internacionais na área agrícola'', disse Boonekamp.
Ele integra a delegação de 20 técnicos internacionais que ontem visitou a Fundecitrus e a Marchesan, maior empresa de implementos agrícolas da América Latina, em Matão e a Usina São Martinho, em Pradópolis. Hoje o grupo visita cooperativas em Ribeirão Preto e Orlândia, e a Agromen, maior produtor de sementes de milho do Brasil com capital 100% nacional. Durante as visitas feitas até agora, os técnicos procuraram se informar sobre relacionamentos entre Estado, produtores e a agroindústria, mas se negaram a falar em subsídios dados por seus países a agricultores estimados em US$ 1 bilhão por dia.
''Eles estão impressionados com o que viram e nós temos de alertá-los que o Brasil não é um país rico e que estão em regiões privilegiadas. Ou eles iriam sair daqui pensando que nós já deixamos de ser um país em desenvolvimento'', disse a secretária-executiva do Conselho do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Mônika Bergamaschi.

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