Em seis anos de existência, a Casa do Empreendedor, de Londrina, emprestou mais de R$ 13,7 milhões que geraram mais de 11,6 mil novos empregos na cidade. Esses são alguns dos números que justificam a alegria desta Oscip (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) que, ontem, comemorou seu aniversário com o lançamento de um projeto voltado às Organizações Não-Governamentais (ONGs) que reciclam lixo.
A Casa do Empreendedor nasceu para apoiar o desenvolvimento do trabalho informal e das microempresas. O financiamento que ela oferece destina-se exclusivamente a atividades econômicas como comércio, indústria, serviço e produção agrícola. O limite é R$ 10 mil, com juro de 2,06% ao mês, pagáveis entre 12 e 15 meses. Os recicladores de lixo serão beneficiados com juro de 1,75 ao mês e prazo de 18 meses para quitação. Segundo Rubens Bento, gerente financeiro e administrativo da Casa, essa vantagem servirá para compensar as dificuldades enfrentadas pelos carrinheiros. ''Até agora, apenas dois grupos apresentaram sua candidatura, mas a expectativa é que mais de 20 recorram ao financiamento'', completou Bento, um dos fundadores da entidade.
Atualmente, a Casa do Empreendedor possui mil clientes ativos (pagam prestações), mas durante os últimos seis anos realizou cerca de cinco mil contratos. Um deles foi com a família de Edson Stalianus que, em quatro anos, fez cinco empréstimos para sustentar a fábrica de calças e camisas. Segundo ele, a microempresa aumentou em oito vezes o número de funcionários e a metragem do galpão que abriga as máquinas. ''Emprestar dinheiro de banco é inviável e, se tivéssemos feito isso no passado, com certeza nossa situação seria muito pior'', afirma o empresário que, em 2004, pretende diversificar sua produção.
Assim como ele, Leandro Ritter Urrita conheceu a Casa do Empreendedor através do 'boca-a-boca' que, segundo Bento, é a propaganda que rende mais resultado. Dentro da Epesmel, Urrita fabrica derivados de soja que doa à entidade em troca do aluguel e comercializa em um único supermercado da cidade. Com os R$ 3 mil que emprestou da Casa do Empreendedor ele comprou novas máquinas e adiantou em seis meses o crescimento do negócio que, até início de 2005, deve se transformar numa microempresa.
A Oscip que surgiu com R$ 1 milhão doado pela prefeitura e R$ 1 milhão emprestado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), hoje em dia tem R$ 2.568.000,00 a receber de seus clientes para reinvestir em novos contratos.

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