Orgânicos querem massificar produção
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Vânia Casado 
O Paraná se destaca como o maior produtor de alimentos orgânicos do País, com uma produção de aproximadamente 10 mil toneladas anuais, envolvendo cerca de 1.000 produtores. Desse total, cerca de 8.000 toneladas são exportadas entre produção de soja, café, açúcar mascavo, hortaliças e frutas orgânicas.
O desafio desse setor é elevar a produção para atender os canais de comercialização que se abrem em rítmo acelerado. Aumenta o interesse do consumidor pelos alimentos produzidos organicamente.
Países como Alemanha, Japão e Estados Unidos são os maiores compradores de produtos orgânicos do Brasil. No mercado interno, a proposta é massificar a produção para reduzir custos e conquistar uma faixa maior de consumidores.
Para discutir o aumento da produção de alimentos orgânicos e a melhor forma de organizar os produtores, as 36 entidades que congregam produtores orgânicos e representantes do governo do Estado estiveram reunidos nos últimos dois dias, no parque Castelo Branco, em Curitiba.
Conselho Como resultado desse encontro foi criado o Conselho Estadual de Agricultura Orgânica, que vai conduzir as discussões sobre o setor daqui para frente, informou Rogerio Rosa, produtor orgânico e presidente da Associação de Agricultura Orgânica do Paraná (AOPA).
Outra decisão adotada é a elaboração de um Plano de Ação de Agricultura Orgânica, construído a partir das bases. O saldo positivo do encontro é o fortalecimento do processo de integração e articulação entre as entidades, avaliou Rosa.
Segundo ele, ficou claro na reunião que o mercado existe e ele tem que ser conquistado. Para isso, as entidades precisam ampliar o processo de conversão de agricultores convencionais em orgânicos.
A possibilidade de ter acesso a um mercado diferenciado, onde os produtos são mais valorizados e o alto risco na produção de produtos convencionais, provocado pelo acúmulo de resíduos de produtos agrotóxicos, têm sido os fatores de atração da agricultura orgânica.
Para se ter uma idéia, a soja orgânica tem um valor 30% sobre o preço praticado no mercado e as hortaliças são comercializadas por um preço entre 35% e 40% superior ao dos produtos convencionais.
Rosa ressaltou que esse processo de conversão tem que ser cauteloso e tranquilo, para assegurar um sistema de produção livre de resíduos de produtos químicos, como agrotóxicos, hormônios e anabolizantes.
Além do processo de conversão, foi discutida ainda a participação da pesquisa para elevar a incorporação de tecnologia no sistema de cultivo de produtos orgânicos, como a irrigação. Com isso será possível elevar a produtividade, melhorar a apresentação visual dos produtos e reduzir os preços para atingir um número maior de consumidores no mercado interno.
Segundo Rosa, a proposta das entidades é massificar a produção para atender um número maior de consumidores. Hoje, o consumo de produtos orgânicos ainda está restrito à classe média, mais consciente da necessidade de consumir produtos sem resíduos químicos.
Café e soja orgânicos A empresa Terra Preservada, uma das pioneiras na comercialização de produtos orgânicos do Paraná, iniciou a organização do plantio no Norte do Estado. Atualmente está estimulando o plantio de café, acerola e soja orgânica na região.
O plantio de café orgânico atinge cerca de 200 hectares nos municípios de Abatiá, Ribeirão Claro e Londrina, envolvendo 30 produtores. Desse total, cinco áreas já têm a certificação do Instituo Biodinâmico de Botucatu, documento que as credencia a exportar os produtos. A produção de café orgânico este ano na região foi 3.000 sacas, disse o gerente de produção da empresa, Nilton Braga.
O plantio de acerola orgânica já envolve 12 produtores no município de Carlópolis, Norte Pioneiro. A produção de uma área com aproximadamente 20 hectares, rendeu 300 toneladas da fruta este ano.
O plantio de soja abrange somente 50 hectares e ainda está em caráter experimental na região. A área plantada rendeu duas mil sacas de grão, este ano.


