A soja é atualmente o carro-chefe dos produtos orgânicos cultivados no Paraná devido à alta valorização. Segundo o presidente da Associação dos Produtores Orgânicos da Região de Londrina (APOL), Lauro Tetsuo Okamura, toda a produção é vendida para o exterior. Na safra 2002/03, os 32 filiados da Apol produziram cerca de 12 mil sacas de 60 quilos vendidas a US$ 15,00 cada uma. Enquanto isso, a soja convencional alcançou, no máximo, US$ 10,00. ''Nossa intenção é formar uma cooperativa e, por meio dela beneficiar o produto, eliminando a figura do intermediário'', adiantou Okamura.
Além da soja, os produtores orgânicos também investem em frutas (abacate, goiaba, caqui, atemóia, banana, manga e outras), trigo, milho, café e verduras. A carência de pesquisa e as pragas são problemas comuns a todos que atualmente se reúnem em cerca de 10 associações no Estado. Na última quarta-feira, mais de 70 pessoas passaram o dia discutindo o manejo de ervas invasoras e a tecnologia adaptada ao segmento no primeiro encontro anual da APOL, realizado no Centro de Difusão de Tecnologia do Instituto Agrônomico do Paraná (Iapar). ''Nesta área, a ciência agrícola está atrasada em, pelo menos, 50 anos. São poucas as instituições de ensino e pesquisa que dedicam tempo e dinheiro no desenvolvimento das culturas orgânicas'', disse João Passsini, pesquisador do Iapar, onde coordena o projeto Redes de Referência de Propriedades Orgânicas.
Por causa dessas dificuldades, normalmente, o agricultor amarga a perda de 50% da lavoura. No período de transição entre o cultivo convencional e o orgânico (que varia de três a quatro anos), essa redução é maior ainda. ''É por isso que lutamos para que os governos criem formas de incentivo à categoria'', explicou Passini. Embora o número de agricultores e consumidores adeptos ao produto orgânico ainda seja pequeno no Brasil, o pesquisador afirma que a tendência é de crescimento.
Para compensar o prejuízo, o produto orgânico chega às gôndolas dos supermercados com 30% de acréscimo no preço em relação aos produtos convencionais (que se desenvolvem com a ajuda de produtos químicos). Na opinião de Okamura, esse é o maior obstáculo até o consumidor. ''Nossa vantagem é que os produtos orgânicos são mais saudáveis, saborosos e não agridem o meio ambiente. É essa diferença que precisa ser mais valorizada no Brasil.''
No caso de Elina Myazaki a religião foi a responsável pela adesão ao sistema. Há cinco anos, a família desta agricultora de Jataizinho planta cereais, frutas, verduras e soja sem agrotóxicos. ''É preciso haver um equilíbrio entre espírito e matéria. Assim como cuidamos da alma, temos que cuidar do corpo e isto inclui o que ingerimos'', explicou.

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