Orgânicos ao alcance do consumidor
Curitiba pode se orgulhar de ser uma cidade antenada com os novos tempos, pelo menos na área de alimentação e qualidade de vida. Como em muitas cidades de Primeiro Mundo, na capital paranaense já é possível encontrar grande variedade de produtos orgânicos, de alimentos a roupas e produtos de higiene e beleza. Além das nove feiras livres já existentes, quem busca essa alternativa mais saudável e ecológica de consumo dispõe de mais uma opção: o Mercado de Orgânicos, inaugurado há pouco mais de um mês. Totalmente novo, o espaço é anexo ao tradicional Mercado Municipal de Curitiba.
Consumidores não faltam. A Prefeitura informa que até o fim desse ano pretende ampliar para 14 o número de feiras-livres que comercializam orgânicos, facilitando ainda mais o acesso a esses produtos. Porém fica uma dúvida no ar. Vale mais a pena comprar nas feirinhas de rua ou ir ao novo mercado? A reportagem da FOLHA foi a campo pesquisar e descobriu que, em termos de preço, há diferença. Nas feiras livres, itens como verduras, legumes, compotas, sucos e ovos são mais baratos. Mas a diferença é pequena.
Cabe ao consumidor decidir se compra na feirinha mais próxima de casa ou no Mercado de Orgânicos. A diferença básica está na variedade. O setor novo do Mercado Municipal oferece, além dos produtos encontrados na feira-livre, opções diferentes como peças de vestuário, produtos cosméticos e itens alimentícios importados. Há também a questão do conforto. Banheiros novos e praça de alimentação com restaurante orgânico, lanchonete e café estão presentes no Mercado de Orgânicos, além da facilidade do estacionamento.
Para quem gosta, porém, nada substitui a fidelidade ao feirante preferido. No mercado novo, a sensação ainda é de vazio - há boxes não ocupados e poucos clientes durante a semana. Também predomina uma certa frieza asseptica, pois tudo é recém-inaugurado e pintado de branco. Na feira, o clima é de rua mesmo. Como acontece em toda feira-livre, as orgânicas também possuem clientes conhecidos, que comparecem toda semana. As barracas ainda oferecem aquele charme adicional da possibilidade de barganhar, ganhar brinde e bater papo com o feirante.
A feira da Praça do Expedicionário, que acontece toda quarta-feira pela manhã, é pequena - mas tem movimento garantido. Muita gente vai se abastecer ali, a poucas quadras do novíssimo Mercado de Orgânicos. O feirante Wagner Mendes, que também é produtor - o que é comum nessas feiras - conta que tem clientela fiel, embora não muito numerosa. De acordo com ele, a feira orgânica dos sábados, no Passeio Público, é bem agitada. ''É mais conhecida'', observa Mendes, que participa das duas. A feirinha do Passeio foi a primeira a funcionar em Curitiba. Precursor da produção orgânica, o engenheiro agrônomo Mauricio Burmester do Amaral, que conseguiu a implantação dessa primeira feira-livre especializada e já é falecido, foi homenageado na inauguração do Mercado.
Graças ao trabalho pioneiro de Burmester, gente como Wagner Mendes se volta para a produção orgânica com mais segurança. Ele cria 500 galinhas soltas, como mandam as regras biodinâmicas, para vender os ovos em feiras. A chácara, em Mandirituba, na região metropolitana de Curitiba, vai crescer. Mendes pretende ampliar a produção de ovos caipiras e fornecer para mercados e outros pontos comerciais. ''Estamos fazendo tudo direitinho conforme as regras e logo vamos receber certificação'', comemora o produtor, antevendo bons negócios.
No Mercado de Orgânicos, tudo é muito recente, mas a expectativa também é de crescimento. Mariana Toyama, da loja Organique Essentiel, conta que no fim de semana o movimento é grande. Há os consumidores que conhecem e buscam os produtos orgânicos, e muitos que chegam curiosos, perguntando e querendo entender a diferença para os demais. Na loja onde Mariana trabalha há uma variedade incrível de produtos, entre chocolates, compotas, sucos, conservas e outros alimentos. Os preços são mais altos em relação aos itens não-orgânicos, mas de acordo com ela, cada vez mais gente está optando por essa alternativa saudável. ''Atendemos desde jovens que moram sozinhos até famílias inteiras. Gente de todas as idades'', conta.





